O Cidadão adverte que este blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o socialmente padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns dos seus leitores! Se isso vier a ocorrer, então estará a alcançar os seus objectivos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, adormecidas... ou anestesiadas por fórmulas e conceitos preconcebidos. Embora parte dos seus artigos possam estar "condimentados" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade com libertinagem de expressão" dentro do principio de que "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros".(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico e corrosivo por vezes, ou mais profundo e reflexivo, pausadamente, daí o insistente uso de reticências, para que no fim da sua análise, os ciberleitores olhem o Mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell).
Na coluna á esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de blogues a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, o que não significa, para o Cidadão, a conotação ou a "rotulagem" com alguma delas... mas somente o enriquecimento com a sua abertura e análise ás diferenciadas ideias e opiniões, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais e válidos para todos nós, dando especial atenção aos "nossos" blogues autóctones.

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sábado, 21 de Novembro de 2009

CACAU!



CACAU!

Nos tempos que atravessamos, encontramos o + diversificado género de águas no mercado…
Águas estas, engarrafadas em vasilhames rotulados com bonecos sugestivos, de formatos e feitios bem distintos num constante apelo ao potencial consumidor final.
Apresentam-se simples, leves e pesadas, com ou sem gás natural, em suaves cores e aromas, sugerindo adocicados frutos ás papilas gustativas do sedento apreciador… os sabores recorrentes serão a limão, laranja, maçã, ananás, hortelã, gengibre, morango, amora ou mesmo a figo ou a uva… esta última possuindo propriedades alucinogénias mais ou menos intensas consoante a concentração do fruto ou seus semelhantes químicos, designando-se popularmente a + suave, por água-pé!
Segue-se um exemplo do impacto que esta aguinha poderá imprimir no psico da câmara digital, se acompanhada por castanhas assadas, fôr butida em quantidades industriais!

Evidentemente que estas águas têm um preço final bastante elevado, comparativamente ao das congéneres puras e duras!
Como em Tubucci
Sim, pois aqui é que Tubucci entra no filme…

Como em Tubucci volta e meia se copiam as americanices, será o caso do campo de Basebol ou o jardim lúrico de Santa Catarina…
!!! Ãh?
Não senhor…
Embora pareça, a Dra. Lurian, Secretária da acção Social do Brasil, que também veio da Latina América não é para aqui chamada, nem muito menos cá o Cidadão se refere a Djalama Vando Berger, o prefeito do Município de S. José, no Estado de Santa Catarina lá p’rás terras de Vera Cruz, mas tão sómente ás águas que correm pelas condutas, tubos e castelos das Tubuccianas torneiras.
A Metromint, empresa engarrafadora de águas de São Francisco na Califórnia lançou uma estirpe de água com sabor a chocolate e como Tubucci sempre teve uma visão futurista da coisa, não está de modas, vai daí e…
zás!

Envia para a torneira dos cidadãos Tubuccianos uma água que no início tinha aspecto leitoso e aromatizada a cloro… agarrando-se que nem lapa ás loiças que a Companheira tenta enxaguar…
No presente vem aditivada de um aroma esquisito como os barulhinhos do nosso Procurador, evocando tons marron.

Se não formos lerdos, nesta altura do campeonato já todos entendemos que estamos perante a eleição de um aroma achocolatado nas nossas águas, razão + que plausível para justificar o elevado preço que se nos afigura nas facturas mensais da magnífica empresa Ambientabrantes!
Nem cheiro a figo, nem muito menos há por aqui contradanças, porque para face oculta bem bonda a do Cidadão… bom, bom…e voltando ao magnífico chocolate, quais as razões para tal aditivo?
O cacau, planta que produz o dito cujo, começou a ser digerido por Maias e Azetecas!

Esses tipos impulsionados pelo cacau, caminhavam noite e dia sem parar, tal como sucedeu com o lulu do senhor mui assenhorado que, enquanto o bombeiro abastecia o seu bólide, o tipo alçava a pernita para o pneu mesmo por debaixo do depósito de combustível …
“???”
O bicharoco… entenda-se, não o senhor assenhorado!!!
 …E entretanto o bombeiro descuidado, deixou tombar uma gotita de gasolina sobre um precioso testículo do bichano! Aquilo foi ganir e saltar por tudo quanto era sítio durante uns minutos, não havendo raios que parassem o animal… se bem quando o desgraçado tombou exausto!

Seu dono demandou o descuidado bombeiro tentando explicação para aquele triste desfecho, ao que este lhe observou sereno:
-“Acabou-se-lhe a gasolina, senhor!”

Estamos novamente nas Américas Centrais!
Tal como durante as guerras coloniais eram adicionados suplementos alimentares de parte a parte para que as forças beligerantes numa valente dopagem elevassem seus níveis de adrenalina, contribuindo para o decréscimo da explosão demográfica, hoje em dia serão necessários aditivos que activem as potencialidades reprodutoras das populações Europeias na medida em que, para além do êxodo (perda) registado cá no burgo, há uma menor propensão para a efectiva procriação, resultando no envelhecimento desta população.
Vai daí, o cacau, possuidor de propriedades energizantes e afrodisíacas, pondo o pessoal a trabalhar que nem láparo, também é elemento fundamental no garante da longevidade graças ás suas propriedades antioxidantes.
Vejam bem que nos antanhos, Napoleão Bonaparte e suas tropas ingeriam quantidades consideráveis desse cacau para conseguirem pedalada suficiente em suas cavalgaduras, avançando pela Ibéria dentro alcançando as Linhas de Torres!
Nesses tempos, o homem seguia sentado sobre o lombo da besta que o puxava…
Com a evolução dos tempos, o homem é a única besta que puxa sentada… sobre o selim da sua bicla!
Os franciús estavam convencidos que a teobromina era um princípius activus semelhante ao da cafeína, mantendo as tropas em constante vigília!
A porra toda foi quando se lhes acabou o cacau!
 Perderam a pedalada, o estímulo e a vontade de atacarem deixando em paz as damas dos territórios invadidos!
Ainda hoje é assim!
Em não havendo cacau… nada feito!
Com a adesão do Condado Portucalense e respectiva expansão de Dom Afonso Henriques ao euro, o valor do cacau elevou-se para o dobro, para o triplo e assim sucessivamente!
Não admira pois que o pessoal se corte a esforços de maior!
Ah!
Onde ia?
Este pequenino e modesto post teve origem na água achocolatada que brinda os Tubuccianos ao romper da aurora.
Portanto desconfiai que o objectivo será + o aumento demográfico e uma maior produtividade por estas paragens!
Mas há +!

Está provado que o uso do cacau como esfoliante, melhora a estrutura da derme, regenerando e renovando a barreira hidrolipídica, tornando-a hidratada, aveludada e mais suave ao toque.
Portanto damas de Tubucci… é de aproveitar e tomarem uns belos duches matinais com estas águas medicinais!
Quanto ao intestino…
Se não for adulterado, o chocolate possui propriedades digestivas inibindo o apetite bocal!
Caso o produto seja marado, poderá desencadear uma valente inflamação do estômago e do intestino em típica gastroenterite com a respectiva inflamação dos fígados, pondo um desgraçado a correm três quinze dias para a casa de banho de calças na mão, aliviando o diâmetro ao abdómen, sendo esta última, a parte positiva!
Agora passemos á embalagem propriamente dita!
Todos nós sabemos que há embalagens mui + carotas do que aquilo que trazem dentro!
Qual a razão da garrafinha de água sair + cara que a gasolina?
Precisamente por causa do pacote!

Se não fosse o pacote, pagar-se-ia a água ao preço da uva mijona!
Mesmo que a água seja achocolatada, a concentração do produto aditivante é diminuta, apenas colorindo as roupinhas + alvas, que assim se adequam ao clima cada vez + tropicalizado, e nem ficará nada mal o tom beije tipos caqui, ao género do que se usava nas savanas africanas!
Balalaicas e tudo!
Nada disso!

Não é a guitarra Russa de três cordas mas o vestuário usado pelos colonos e cipaios de Moçambique e das Índias!
Irra, que vossemecês não percebem patavina disto!
Ah! Tubucci!
Linda Tubucci!

Pois então, se o ciberleitor fizer como cá o Cidadão, fechando as torneirinhas durante um mês seguidinho com consumo zero entre uma e outra facturação da Ambientabrantes, ainda leva com um pacote de nove euros e sessenta e quatro cêntimos!

É este, o preço da embalagem!
Compreendem-se agora as razões pelas quais a água aromatizada será a + bem paga!
Mas não vamos pensar + nisso, está bem?

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

TANQUE 201



 TANQUE 201


Na margem esquerda do Tejo, espartilhada pelas ribeiras da Foz e de Alcolobre, encontra-se uma peculiar extensão de território Ribatejano.

Quem pela Estrada Nacional 118 provier, dará com um cruzamento constituído por éne placas em torno das quais o viajante terá que voltear se ambicionar a Estação de Santa Margarida, ou trepar mal a pique, se quiser marchar ao planalto da Pucariça.

Coscuvilheiro Intergaláctico escarrapachado no Observatório do Centro de Ciência Viva que baixe seu telescópio para Sudeste, facilmente encontrará tais homenzinhos verdes ali tão perto… evitando calcorrear anos-luz entre cometas e planetas.

Encavalitado em alvo pedestal estaciona um veículo lepidóptero com sua bélica peça de fogo virada a Norte.

É um puro-sangue Patton M 47, vedeta da Revolução dos Cravos!

Fabricado nos States pela Detroit Tank Factory, com lotação para cinco étês, com envergadura de oito metros e meio, boca de fogo incluída, uma largura de três metros e dezasseis milímetros e altura de três metros trezentos e cinquenta e dois centímetros, tara de quarenta e duas toneladas, mais quatro de munições, alberga no seu coração um Continental AV1790-5B, motor de doze cilindros em V e potência de oitocentos e dez cavalos, progredindo a 50 quilómetros por hora em patamar e trinta quilómetros por hora por terrenos irregulares, com capacidade para oitocentos e setenta e cinco litros de combustível, consumidos em cento e trinta quilómetros numa média de seiscentos e setenta litros de gázóil aos cem!

Coisita pouca.
Tudo seria mui lindo se neste contexto não fossem incluídas umas morteiradas…


Presumivelmente aquele carro de combate terá sido alvo de ataque inimigo!
O pavimento invoca três buracões dignos de obuses perfurantes que se abateram juntinho ao blindas 201, pelas suas nove horitas!
Concerteza que por esse motivo não se vislumbrará tripulação á viatura!

Valendo-lhes um inimigo zarolho, talvez descendente do Luís Vaz

…ou calhando, devido a uma rabanada de vento, os obuses excedentes estatelaram-se mais perto da estação dos Margaridas!


Aquilo é o máximo!
Tripulante de chiante oriundo doutra Galáxia terá por li a oportunidade de ver as estrelas, rebentando com umas jantes ou quiçá, saltando-lhe os tampões, em sublime exclamação:

:(... :(...  PUNHETE!
Será uma estratégia de defesa nacional, no retardar a progressão de força hostil…
Naquelas bandas circula juventude dos quatro cantos do condado que verde de raiva, evocará o canto do cisne aos seus bólides…
E… se por rebentamento de mina ou disparar de dilagrama alguma suspensão se escangalhar, a quem atribuir as responsabilidades de tanta pontaria?

Não ao Exército Português, pois os marcos amarelos da estrada militar estão mais adiante…

Não ao Município de Constância porque, para o bem e para o mal, os domínios deste nó são da “Estradas de Portugal” que obcecada com a ponte sobre a Ribeira da Foz nem se aperceberá da complexidade da coisa… outro tanto sucederá com os blogueiros da região… hummm… transparece a noção que perdem muita hora virtual admoestando os pêcês em detrimento do in-loco!
Aqui sim… no mínimo dos mínimos, o Município de Punhete deveria reclamar as competências da “Estradas de Portugal “para a resolução de tão lisonjeiro fenómeno.
Seria o Máximo!

Citando, após o São Martinho a novel edilidade visitou território dos homenzinhos verdes e se não utilizou os Alouette III, pelo caminho terá constatado o que se descreve nesta crónica meio marada!


Se Vosselência supôs que “Tanque 201” seria marca de jeans… bem se enganou! Eh! Eh!

sábado, 31 de Outubro de 2009

. A PERCA



A PERCA

Estava cá o Cidadão dormitando defronte ao computas eee – 10” de monitor, navegando pela imensidão da blogosfera Tubucciana, num vazio de questões pertinentes depois do grandessíssimo Lufa - Lufa  das autárquicas quando deu de fuças com o seguinte título:

Arregalou os olhos, limpou as vistas pois isto deu-lhe um sainete que Vosselências nem imaginam!

Tudo passaria despercebido se o autor deste post não fosse um deputado da Assembleia Municipal de tão altaneiro Concelho e professor dos nossos irrequietos rebentos…
Portanto, a perca da população será, nada mais, nada menos do que um cardume de percas que se escapule pelo rio abaixo… Se o conseguir!
Tão pouco será o pessoal bloqueado por pensamentos do bolchevique Leon Trótski que nos fustiga com questões ecológicas, como um pêéssedê de gema atentado por nobres preocupações, arrastando a ictiofauna para as ribaltas da polis…

Yá! Cena fish, mêmo!
Ora bem… A perca de uma população só faz sentido na medida em que, por Tágides águas pulula a dita azola

 Azola esta, parece ser a única coisita que ultimamente mexe por este território.
De resto, um marasmo!
Quer-se dizer… ainda há um político por outro que emite por aí o seu “Gritinho do Ipiranga” no vazio, porque o “Mamassuma -  Comandos ao Ataque” já se encontra pró ultrapassado!
Uma população de percas em debandada para paragens distintas terá concerteza…

A sua razão de ser…
Este Tubucciano e orgulhoso deputado revela enorme preocupação pela piscifauna que ruma para paragens mais oxigenadas… parte dela desistindo da grande escalada ao paredão, especialidade reservada aos salmonídeos e aos fregueses do Alfa-Aventura!
Nos últimos dias outros blogues e organizações de âmbito ecológico têm abordado o tema, mas não tão acutilantemente preocupados com este espécimen de escamoso bicharoco!
Arrastado por vil curiosidade, cá o Cidadão foi consultar a enciclopédia livre onde reza o seguinte sobre a dita cuja perca:
Perca é a denominação de qualquer espécie do género - tipo dos percídeos, como, por exemplo, a Perca fluviatilis,  considerada a verdadeira perca. A perca é um conjunto de diferentes espécies de peixes nativos de água doce do mundo inteiro. A perca do Nilo, Lates niloticus, é um dos maiores peixes de água doce, mas, por viver no Lago Nasser, não é certo que tenha habitado o Nilo antigo. É possível reconhecer alguns peixes que os antigos egípcios pescavam, como a tilápia e o peixe-tigre. Outras espécies são mais difíceis de reconhecer.”
Reparem só nos ares de sapiência que esta transcrição com uma porrada de palavras de setiquinhentos pelo meio, confere cá ao rapaz!
È de o pessoal que lê estas tretas ficar completamente zá-zá!

Demais, não sendo por assim dizer… leitor disléxico, não lerá Preca no lugar de perca, pois enquanto o primeiro foi um jovem sacerdote Maltês, o segundo, é um sério candidato ao prato de qualquer humano que não se atrapalhe com as espinhas atravessadas na garganta!

Portanto, caro deputado da Assembleia Municipal Tubucciana, este assunto será deveras preocupante e carecerá de uma análise profunda por parte das entidades competentes de modo a minimizar, quiçá inverter a tendência migratória da população de percas que resiste ás cagativas intoxicações da zona aquífera do Tejo a montante da borrachinha insuflável, bem como daquelas que não têm barbatanas que lhes permitam galgar a escadaria e aí sim, o açude retardará a demanda a águas cálidas!
Oh! Caraças!

Será que o Senhor deputado pretenderia escrever perda???

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

O APAGÃO




O APAGÃO

Há coisas do caraças!

Reparem bem nisto:

“Anónimo disse...

Ó cidadão.
Como se interessa pelos problemas de Abrantes, uma destas noites vá dar um girinho por vale de rãs e arrajará assunto para escrever. Não há luz nas ruas.
obrigado.

14 de Outubro de 2009 8:48”

E agora nisto…

“Jorge disse...

Recorda-se daquele problema da água em Vale de rãs que voc deu um empurrão para que fosse resolvido?
O cidadão abt tem de cá voltar porque agora não temos iluminação em algumas ruas. Peço-lhe que escreva sobre esta vergonha que se está a passar.
Jorge.

14 de Outubro de 2009 12:04”

Estas foram as últimas recebidas, e o fim da picada!!!

Irra que não deixam um tipo sossegar por um bocadinho que seja!!! Que aflição! Bem bonda o que já se encontrava preparado para ser publicado e não há meio de largarem a peúga cá ao rapaz!!! Está bem, prontos! Vamos lá a isto!

Foi com algum correio electrónico recebido nos últimos dias, que desassossegaram cá o Cidadão, já este se enroscava no pijama, preparado para os braços de Morfeu!

Toca a arribar do sofá, trocar as pantufas pelas botas, vestir uns jeans e suitshirt negra para passar discreto na noite, e rumar até ao Tubucciano bairro! Dizem os anciãos que nos tempos em que o nevoeiro era Rei e senhor pairando por aquelas bandas, em noites de Luar, por lá vagueava o lobisomem... daí a levar um discreto crucifixo no bolso, foi um truz!

Estacionado o pé de borracha junto ao Café Francês, vai o Cidadão de descer a estrada a penantes… como a caminho do Carvalhal… na primeira travessa… tudo bem… havia iluminação suficiente para não se avistar um pirilampo… na segunda travessa á esquerda… idem, idem… aspas, aspas…

Hum… isto cheirava a brincadeira de mau gosto… Quando cogitava dar meia volta e volver… á entrada da terceira rua…

TUMBA!

Lá estava!

Não era o lobisomem, mas a falta de iluminação pública!


Uma rua toda escurinha como há muito não se via!

Olhando a toponímia, rezava assim:

“Rua Ramiro Guedes de Campos”

Coisa mais nostálgica não havia, fazendo o Cidadão recuar umas dezenas de anos até aos tempos em que as noites escuras eram traçadas pelo tremeluzir de ténues candeias a azeite!

Mas os moradores desta rua deviam ser bué da baris pois mantinham acesos os candelabros dos varandins!

Se não fossem os automóveis estacionados diríamos que regressámos ás descrições de Sir Arthtur Conan Doyle nas cenas do Sherlock Holmes, da época Vitoriana!


Entretanto, de fonte luminosa branca e intensa foram surgindo senhoras de meia-idade que se iam reunindo na escuridão, proferindo diálogos e cantilenas esquisitas!

Traziam ar bastante feliz e de franco convívio… muito bizarro e estranho para tempos que vivemos!

O Cidadão aproximou-se com cuidado, sacou da fotográfica e zás! Disparou duas ou três flaxadas na esperança que aquelas figuras reagissem… e não foi que reagiram?

Manifestaram grande interesse por aquilo que cá o rapaz andava a fazer… seguindo-o com olhares sombrios, acompanhados de um gélido silêncio.

Quase que o Cidadão se tinha arrependido daquilo que fez, pois avançaram em passos firmes na sua direcção!

Um tipo ás vezes mete-se em cada alhada!!!

A que aparentava ser líder daquele sinistro grupo onde se vislumbrou um ou outro homem, destacou-se, avançando ao encontro cá ao rapaz, de olhos embisgados e soturnos, questionando…

-Isso é para o Jornal?

Poderia ser o fim do Cidadão, quiçá saltarem-lhe em cima, escalpelizá-lo, esquartejá-lo e retirarem-lhe os órgãos, como dizem que fazem por aí os Chineses!

As mais belas imagens da vida correram rápido na memória e ainda teve tempo para pensar… mas também não aproveitariam grande coisa… diga-se de passagem…

“Nunca mais! Nunca mais este praça irá escrever disparates! È o fim da linha!”

Timidamente, o Cidadão respondeu-lhe com voz embargada, um arrepio pela espinha acima, uma sede súbita e com o suor traiçoeiro escorrendo-lhe pelas têmporas… ainda bem que não havia cão por perto, senão era agora que lhe filava as canelas devido ao fétido odor a adrenalina… cá ao Cidadão… subentenda-se!

-Não. É para colocar num blogue… “O Cidadão abt, c… cróóónicas de um cidaãadão de Abraãntes””

O chiar dos morcegos fazia-se ouvir… e á distância, insistia o latir de um cão!

-O que vem a ser isso do blogue?

Nesta altura já o Cidadão não tinha a mínima hipótese de escapar pois estava rodeado de senhoras e de um ou outro homem, por todos os lados…

Pigarreou… a voz soltou-se… engoliu em seco… era chegada a hora!

-Adeus, mundo cruel!

-Um… blogue… é assim um sítio na Internet onde se podem expor fotografias, ideias, e mesmo até escrever os disparates que nos vêm á cabeça!

-E o que é que você lá quer pôr, daqui?

-È sobre a falta de iluminação… isto está tudo ás escuras…

? ? ?


-Ah! Já sei! Você é o tal cidadão abt que costumo consultar! Dê-me cá um beijinho!

“Smach! Smach!”


Eiaaa c’um catano! Um tipo nem tem tempo de se esquivar!

No meio de tanta idosa saltou uma faneca fresquinha que nem vos digo, nem vos conto!

-Ò filha! Conheces o senhor?

-Não Vó! Costumo ler as coisas que ele escreve na net e farto-me de rir!... È aquele senhor que o papá costuma falar!

-Ah! Bom. Vem ver se nos tira desta miséria franciscana?

Observou um dos senhores presentes!

-Pois… disseram que isto estava assim e vim ver…

-Desde os fins de Setembro! A gente farta-se de telefonar para a EDP, e os tipos nunca mais resolvem isto! Já por aqui andaram durante dois dias com um aparelho daqueles de encontrar metais debaixo da terra e foram-se embora! Aquela luz ali da ponta da rua ainda acendeu um bocado mas voltou a apagar-se!

-Oh! Pá! Mas isto já está assim há bastante tempo …

-Pois, vai para uns quinze dias com tudo ás escuras! O que nos tem valido são os moradores que deixam as luzes das varandas acesas todas as noites!

-Diga-me uma coisa… os candidatos não passaram por aqui?

-O quê? Os políticos? Foi. Passaram, mas de dia! Até a que ganhou a câmara, veja bem!

-Pois… deviam ter feito as arruadas durante a noite…

-Mas também não nos deixavam dormir… não é verdade?

-Sim… vamos a ver se doravante continuaremos a dormir sossegados… mas o que é que se passa para tanta gente vir a sair dali?

-É o Terço! Estamos a sair do Terço!

-Isso é alguma Ordem?

-Uma ordem? Mas dar uma ordem a quem?

-Não é isso! Uma Ordem, como de Avis, dos Templários e assim…

-Não. È o Terço que se reza nos meses de Maria, e faz parte da Igreja
Católica.

-Ah! Desculpe-me a curiosidade… mas agora reparo… além do outro lado do arvoredo também não há luz!

-É esta correnteza toda! E além ao fundo, na outra rua que desce, até mora um vereador da câmara!

-Ai sim?!

-Aquele das obras e vice-presidente!

Interveio outra senhora.

-Ex, ex-vice presidente! Vai passar a pasta a outro, segundo dizem por aí! Se o vereador mora por ali e isto ainda não se resolveu é porque deve ser uma grande avaria…

-Não me diga!

-Estamos bem entregues… é o que lhe digo!

-Veja lá!!! Acabou de sair do Terço…

-Mas há coisas… sabe!? É uma grande avaria, isso é que é!

-Vou continuar o meu trabalho…

-Você trabalha nisto?

-Não é o meu ofício… dedico-me um bocado a isto, nos tempos livres…

-Cada um tem as suas manias!

-Está correcto! Uns pelo futebol, outros pela caça, pela pesca e por aí adiante… cada um com as suas pancadas!

-Beber é que não! Começa-se com os amigos, com uns copitos e depois já é tarde! Há desavenças em casa e no trabalho! Isso é que não!

-Oh! Pá! Um copito também não faz mal! Os taninos de tintol fazem bem ao sangue!

-Se não for martelado, claro!

Ena c’um carais! Ia torcendo um pé! Repare-me nesta calçada irregular e afundada! Está por aqui um buraco…

-Sai dai com cada ratazana!

-Isto está assim, porquê?

-Andaram a renovar as canalizações da água e taparam as valas, depois vieram os do gás, voltaram a romper os passeios e voltaram a tapar! Foi por aqui uma bagunçada que nem lhe digo, nem lhe conto!

-Hum… Entretanto a areia foi compactando… deixando tudo oco por baixo da calçada… E aquela rua ali adiante também não tem iluminação… como se designa?


-È a rua D. João de Almeida!

Interveio uma das senhoras presentes…

-Ali estão dois bancos debaixo as árvores e a seguir é uma ponte… não é?

-É! Puseram-nos há um ano e já estão escavacados! Á noite a malta nova junta-se por ali e é um forrobodó de barulho até ás tantas! Vêm para ali com carros e motas a acelerar e a fazerem acrobacias! Não deixam as pessoas descansarem!

Prosseguiu a senhora, com uma expressão indignada!

-Ora, ora… deixe-me cá tirar mais umas fotos…

-Os homens da luz vêm aqui quase todos os dias e não encontram a avaria!

E o Cidadão pôs-se a juntar as peças do enigma, tentando perceber o esquema… buracos na calçada… túneis, ratazanas… fios eléctricos a ligarem uns postes aos outros… debaixo do solo… borracha de revestimento macia… uma preta e outra azul… que belas pastilhas elásticas para os bichamos mascarem, não é verdade?

O mesmo aconteceu em Santarém vai para uns bons tempos… os artistas roeram os fios eléctricos da sinalização luminosa e por uns dias resultou o caos do trânsito rodoviário… Ora bem, por estes sítios a coisa não deve estar longe disso e andam no jogo da batata quente… a quem compete arcar com as obras e as com as despesas?

È á EDP, a fornecedora de energia eléctrica?

Talvez não… Será assunto do foro da Junta de Freguesia de São Vicente?

Parece-nos bem que sim… e já se sabe… os trocos da Junta dependem da abertura dos cordões á bolsa da Câmara Municipal… Dependentes dos resultados eleitorais… quem vence… quem não vence… depois, há que adjudicar a empreitada… receber as propostas…umas quantas burocracites que demoram o seu tempito a desenvolverem-se… e quem se lixa é sempre… vejam se adivinham?

Ainda não?!

Aqueles que desembolsam todos os meses uma porrada de euros para sustentar o sistema, ou melhor explicando, os mal servidos continuam eternamente a ser os que desembolsam para o sustento desta cambada de artolas!

Julgava que a última aldeia a receber electricidade se situava a norte do país, em Trás-os-Montes, de sua graça Baldaia, 116 anos depois de se terem começado a distribuir electrões em pó pelo território nacional.



domingo, 11 de Outubro de 2009

VALHA-NOS DEUS.



Valha-nos Deus

…e a nova timoneira do município de Abrantes é...


Maria do Céu Albuquerque

Parabéns pela almejada conquista

Com os “votos” de que a nova edilidade não nos desaponte.