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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os seus objectivos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, adormecidas... ou anestesiadas por fórmulas e conceitos preconcebidos. Embora parte dos seus artigos possam "condimenta-se" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade com libertinagem de expressão" no principio de que "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros".(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico e por vezes corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausadamente, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas análises, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell).Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de blogues a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, o que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão com alguma delas... mas somente o enriquecimento com a sua abertura e análise às diferenciadas ideias e opiniões, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais e válidos para todos nós, dando especial atenção aos "nossos" blogues autóctones. Uma acutilância daqui, uma ironia dali e uma dica do além... Ligue o som e passe por bons e espirituosos momentos...

sábado, 26 de abril de 2014

A ALVORADA

A ALVORADA

Hoje mais do que nunca, é importante recordarmos e fazermos passar às novas gerações aquelas primeiras horas do dia 25 de Abril de 1974, feitas de gente determinada, corajosa e com alguma dose de loucura... gente farta dum regime que nos era imposto!
Hoje, os impostos e as ditaduras são outras, baseadas nos senhores do capital, mas com a mesma linhagem e tal como a avestruz, nós cidadãos deste Portugal subjugado e vendido aos interesses económicos, vamos enterrando a cabeça no areal... 
Alfredo Cunha eternizou esses momentos de viragem com fotografias de que se apresentam aqui algumas réplicas remasterizadas cá pelo Cidadão abt.

“Era vermelho e fresco como um fruto da estação e posto numa lapela, fazia um figurão... tinha irmãos aos molhos, nascidos na mesma altura e,  juntinhos dentro d’água, pareciam uma pintura..
Uma pintura a aguarela, feita por mão amadora... em dia de Primavera, sem perder p’la demora...
A florista do bairro tinha os cravos guardados... para festas de noivado e também p’ra baptizados..
E esse cravo de Abril, de vermelho tão vivo, olhava o mundo em redor com o seu olhar altivo...
Mas era um cravo triste,  porque triste,  era o país, e a sua tristeza ia desde o caule à raiz...
Com o destino traçado, planos já não fazia, ia manter-se viçoso pelo menos mais um dia.
Depois, que é sina de cravo, começaria a murchar, morrendo devagarinho sob o tecto do luar...
capitão Salgueiro Maia
Mas nessa noite acordou ao ouvir na telefonia, uma música bonita que anunciava alegria...
Um cantor chamado Zeca dizia no seu refrão, que era tempo de amizade com um travo de emoção...
Militares da EPC emboscados no Terreiro do Paço telas 7h30m de 25 de Abril de 1974
E esse cravo de Abril ouviu marchas militares e viu sair soldados entre vivas e cantares...
E a dona Floripes, nessa loja de flores, disse aos cravos e às rosas: “vão chegar dias melhores”...
Militares da EPC na Ribeira das Naus, às 6h45min
Tinha um filho na guerra e outro, em Paris exilado, e sonhava com o dia de os ter de novo, lado a lado...
À espera da rendição no Largo do Carmo, pelas 18h do dia 25 de Abril de 1974
Esse dia estava perto, e ela bem o sabia, por isso limpou as lágrimas e colou-se à telefonia...
As notícias eram boas e fresquinhas como cravos, e a alegria nas praças custava poucos centavos.
Salgueiro Maia frente a um tanque M47 que entretanto aderiu às forças revoltosas
Os cravos eram baratos e toda a gente os queria, tinham a cor garrida da festa e da poesia...
E a D. Floripes recordou com comoção, as palavras de seu pai, numa carta da prisão...
Militares da EPC concentrados na Rua Áurea pelas 10h do dia 25 de Abril de 1974
Eram palavras sentidas, com o gosto da verdade, eram do pai a dizer-lhe quanto queria a liberdade...
Às 14h, tanque M47 dos revoltosos, na Calçada do Sacramento
Isso tinha acontecido quando ela era criança, mas esse tempo de dor, ficara-lhe na lembrança...
Chaimite Bafatá frente ao Terreiro do Paço, entre as 7h e as 7h45min
Quando o pai foi libertado, levou-a pela cidade, segredando-lhe ao ouvido: "hás-de ver a liberdade”...
Largo do Município pelas 9h do dia 25 de Abril de 1974
E a promessa cumpriu-se nessa manhã de Abril, ainda sem computadores nem novelas do Brasil...
Uma campainha soou, estava o telefone a tocar, era o filho de Paris a dizer que ia voltar...
À frente da sua loja vinha um tanque a passar, ela saiu do balcão e veio para a rua, acenar...
Mas vinha de mãos vazias e algo queria oferecer aos soldadinhos valentes que a faziam renascer...
Militares em posição de combate, no Largo do Município às 8h de 25 de Abril de 1974
Foi então pegar no cravo que estava ali a espreitar, e foi pô-lo na espingarda que trazia um militar...
Rua Garret às 14horas
O soldado agradeceu, com o rosto iluminado e levantou bem alto o cravo, no seu tanque engalanado...
Era um cravo de paz em arma de fazer a guerra, era a flor desejada p’ra enfeitar esta terra...
E a D. Floripes tomou uma decisão: abriu as portas da loja à festa da multidão...
E disse com um nó na voz: “fazem o favor de entrar pois eu tenho aqui fresquinhos, muitos cravos p’ra vos dar”...
Panhard no Terreiro do Paço, pelas 7h30m
O negócio não contava nesse dia sem ter par; deu cravos a toda a gente que ali via passar...
E sabia que esses cravos iam ter destino certo, nas armas e nas lapelas de quem passava ali perto...
Cada cravo era um instante da sua grande alegria, queria inundar Lisboa com cravos de poesia...
Chaimite posicionado no Arco da Rua Augusta
E o cravo desta história que aqui se conta rimada, foi símbolo da festa nascida de madrugada...
Lá passou de mão em mão entre o Carmo e o Rossio, era um cravo esvoaçante a espreitar ao fundo o rio...
Largo do Carmo pelas  18h40m. Manobras com a Chaimite Bula para a retirada de Marcelo Caetano. 
Saldanha, Restauradores, depois Marquês de Pombal, correu a cidade toda, numa volta triunfal...
Os soldados, os capitães da guerra já fatigados, trocavam balas por cravos, com os civis abraçados...
Rua Áurea, pelas 10h
E o cravo desse Abril lá ouviu de novo na telefonia a voz do Zeca, com uma nova melodia...
Era a nova melodia de um Portugal já mudado, “traz outro amigo também”, com um cravo engalanado...
E do cano da espingarda que era metralhadora, o cravo da nossa história foi p’rás mãos de uma senhora...
Largo do Carmo pelas 19h, com a saída de Marcelo Caetano
E daí passou depressa p'rá lapela de um estudante, que o deu a um operário que caminhava adiante...
E esse, por sua vez, foi dá-lo a uma menina que brincava às escondidas com a irmã pequenina...
EBR posicionada frente ao portão do quartel do Carmo, pelas 16h
E de tanto viajar de umas mãos para outras mãos, o nosso cravo de Abril fez dos amigos, irmãos...
Irmãos num sonho antigo vivido a muitas cores, e agora a guerra de África era batalha de flores...
Chaimite de reconhecimento na calçada da Ajuda, pelas 18h do dia 26 de Abril de 1974
Já não era a preto e branco, este país renascido, coloria-se em festa por tudo fazer sentido...
E o cravo desta história lá ficou d'atalaia, até chegar à lapela do capitão Salgueiro Maia...
Era o homem dos tanques que vinha de Santarém e fez render o terror que andava num vaivém...
O cravo de praça em praça foi tingindo de alegria, o rosto de uma cidade com asas de poesia...
Retrato apeado de Salazar, na sede da PIDE/ DGS, pelas 15h de 26 de Abril de 1974
Trouxe do mesmo molho outros cravos bem garridos, um por cada chaga de tantos anos sofridos...
Rua Áurea pelas 10h enquanto as forças revoltosas contêm a multidão que se vai reunindo
E a loja ficou vazia de cravos nessa manhã, que se encheu com aromas de alecrim e de romã...
E a D. Floripes foi à Praça da Ribeira encomendar muitas dúzias sempre à mesma vendedeira...
Na Rua do Arsenal pelas 10h, no momento em que blindados das forças revoltosas se depararam com uma barreira de blindados M47, afectos ao regime
 Queria alguns de reserva para entregar à chegada, aos filhos que iam voltar numa data anunciada...
Militares da EPC na Rua Áurea
Queria também alguns para pôr na sepultura do pai sempre lembrado com saudade e com ternura...
Terreiro do Paço pelas 10h como capitão Salgueiro Maia num M47 fiel ao regime, acabado de se render pacificamente e se juntar às forças revoltosas
Este dia festejado era o seu afinal chegado, com muito atraso às praças de Portugal...
Aspirante Sampaio posicionando a EBR no Largo do Carmo, às 16h
E o cravo desta história em vez de morrer cedo, durou ainda uns dias sem revelar o segredo...
Mas o segredo era só um e bem fácil de contar: a água que o conservava era da fonte do olhar...
Ribeira das Naus pelas 10h com manobras de reintegração e posicionamento dos M47 até então fiéis ao regime
E esse dia vinte e cinco, eterno no calendário, lá fez entrar na história, um cravo solitário...
Solitário mas cercado de irmãos muito fiéis, que entraram a seu lado nas paradas dos quartéis...
Manobras da chaimite Bula pelo Largo do Carmo às 18h50m
E esse cravo de Abril, de uma loja de Lisboa, lá passou de mão em mão como um notícia boa...
Cais das colunas pelas 9h frente à fragata F-743 que entretanto deixou de constituir ameaça para as forças revoltosas
Não murchou nas espingardas nem tão pouco nas lapelas e enfeitou os sorrisos das crianças às janelas...
Chaimite de reconhecimento comandada pelo tenente Santos Silva
E sendo cravo de Abril, no bico de um verde-gaio voou de praça em praça até ao Primeiro de Maio...
Ribeira das Naus pelas 10h, aquando das negociações para a rendição do major Pato Anselmo
Era uma vez um cravo nascido no mês mais puro, com pétalas de esperança e perfume de futuro..
Ribeira das Naus pelas 10h aquando da rendição do major Pato Anselmo
E uma pétala que eu guardo dentro de um livro antigo, é a lembrança viva desse tempo tão amigo...
Ribeira das Naus pelas 10h30, nos momentos cruciais da rendição do major Pato Anselmo
Amigo das coisas boas, dos sonhos com vozes de ouro, das estrelas que amanhecem com um brilho de tesouro...
Largo do Município pelas 8h45 do dia 25 de Abril de 1974
E a D. Floripes que deu cravos na cidade, ainda chora se lhe lembram o Dia da Liberdade...
O cravo murchou, morreu...  porque um cravo não se ilude e sabe que é só exemplo para acordar a juventude...
Terreiro do Paço pelas 8h30m quando à civil e encostado à chaimite,  o tenente Nelson Santos, comandante do corpo de Alunos da Academia Militar vigiava atentamente os movimentos no Ministério do Exército
E esse cravo de Abril renasce todos os anos, com o aroma dos afectos para fazer novos planos...
E no fundo p’ra nos lembrar que Abril não acabou pois não é só uma data... mas o futuro que começou...
No Cais das Colunas quando pelas 7h3om  uma EBR apontava a boca de fogo na direcção ao Cais do Sodré
O que trago na lapela é filho de um outro cravo que no peito de um soldado, foi de todos o mais bravo...
Junto ao Ministério do Exército pelas 9h de 25 de Abril de 1974, quando um graduado da PSP se dispõe às ordens de Salgueiro Maia.
E neste álbum antigo, na velha fotografia, é a flor que soletra o nome da poesia...
Retrato apeado de Marcelo Caetano, no gabinete de Silva Pais
Era uma vez um cravo numa história sem idade, e eu, ao lembrá-lo em verso, escrevo sempre, Liberdade...

José Jorge Letria

sábado, 12 de abril de 2014

terça-feira, 25 de março de 2014

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O JACTO



O JACTO
   
Depois de uns posts valentes sobre a temática das praxes, desta feita e no sentido de descomprimir, cá o Cidadão abt resolveu vir até aqui digitar uns quantos bitáites bem ficcionados sobre a aventura do magnata nortenho que tendo a sede das empresas registada no estrangeiro, resolveu para uso pessoal, adquirir uma avioneta bastante rápida, sofisticada e propulsionada a reactores, sem bem quando, em certa ocasião e durante a hora de ponta, lhe deu na real gana de aterrar o artefacto na Avenida dos Aliados, em plena cidade do Porto...
Quando a aeronave se imobilizou, de súbito apareceu um táxi que se enfeixou aparatosamente na dita cauda...
 Indignado, o industrial desceu do cockpit e dirigindo-se ao taxista, reclamou-lhe a reparação dos danos causados pelo embate do seu Skoda Felicia na traseira do abiôun...

Então, explicou-lhe o taxista:

-Sabe suinhõure... eue binha a conduzuir e este casal que está aqui no buanco de traz começoue a fazer umas bruincadueiras maruotas...  ela abruiu-me a braguilha das calças ao moço ... e eue a buer aquilo tudo pelo retrobisuore... e ela começuo-ue-lhe  a mexer onde non dubuia, nu pitõue... e eue, suinhôure abiadoure... ia obserbuando pelo espuelho retrobisuore  a bere  até onde cheguaba a pouca berguonha...
Às tantas, a raparuiga arregaluoue munto os uólhos e por detrás de muim, olhou-me no retrobisuore e grituoue-me òs obuidos:
   
- ÓLHÓÓ  JÁÁÁÁCTO!! 
E eue entõue... abaxeie-me!!!! 
C'um catano!!!  Fouie nesse preçuiso momuento que cuolidi co a traseira do seu abiõue, suinhõure...

domingo, 26 de janeiro de 2014

MEGAPRAXIS


MEGAPRAXIS


 Nos últimos meses têm-nos chegado tristes notícias sobre os trágicos desfechos de determinadas praxes académicas que deliberadamente ou não, trocam a integração pela humilhação.
A praxe tem por objectivo integrar os novos estudantes, designados por caloiros, no mundo académico para assim melhor conhecerem os meandros da casa que os acolhe e ganharem confiança com os mais velhos, veteranos, que por sua vez os orientarão nos primeiros passos, integrando-os num ambiente completamente diferente do vivido até então.
Em Portugal, a praxe académica surgiu no Século XIII, em 1291, tendo o Largo do Carmo de Lisboa por cenário, com a fundação da actual Universidade de Coimbra, sob o lema Dura Praxis, Sed Praxis” – a praxe é dura mas é praxe.
Como deveríamos saber, a mente humana tem bastante de positivo mas também encerra algo de negativo que tal como as ervas daninhas em campo aberto, brotará logo que se reúnam condições nesse sentido.
Ora, os rituais de praxe são ambiente propício para que as mais fracas mentes humanas extravasem o seu ego bem para além da mera troça e achincalho infundados, ao ponto destas se transfigurarem em campos de rituais maquiavélicos onde os seus autores dão largas as comportamentos sádicos, colocando em causa a dignidade e a condição humana, sendo o grau de estupidez directamente proporcional à educação hospedada nos seus incrementadores.
O que diferencia o homem dos restantes animais é precisamente o primeiro ser dotado de inteligência mais desenvolvida do que a dos segundos, inteligência tal que se complementará de princípios básicos recebidos dentro dum sistema familiar, consistindo num dos pilares fundamentais da estruturação social que parece desmembrar-se. 
Hoje em dia não é difícil de nos depararmos com jovens que devido ao défice de atenção, afecto, cuidados e respeito dos progenitores que sistematicamente os atulham em bens materiais e os despejam nos estabelecimentos de ensino, degeneram bloqueios afectivos no subconsciente, deleitando-se com o sofrimento, a desgraça e as dificuldades acumuladas ao desejo de assistirem aos seus semelhantes dificultados no alcance do desejado, consistindo numa forma subtil de minimizar a sua infelicidade ao se sentirem bastante melhor dentro do seu ego perante a humilhação infligida a outrem!
Não tive atenções nem afectos que me preenchessem, portanto, vós, meninos e meninas que vindes para aqui, também não os merecerão e como tal serei prepotente, déspota, supremo, altivo, duro, austero, cruel e implacável para convosco... que perante mim não passais de significativa escória humana... 
Fomentarei o consumo exacerbado de álcool, especialmente de cerveja e promoverei em vós a mediocridade gratuita, o culto do arroto aliado ao machismo, a simulação de práticas sexuais, as sevícias corporais, a humilhação, a javardice e a pimbalhada do Quim Barreiros...
Depois de algum tempo recebendo formação académica, ainda assim determinados veteranos praxantes só entendem ser esta como a forma mais saudável de integrar os novatos no ambiente universitário!
Simultaneamente a uma espécie de bullying académico, para gáudio dos autores, cultiva-se bastante trogloditismo durante as praxes.
Ora, é exactamente numa sociedade onde valores materiais vão ocupando o espaço reservado aos valores morais que a mente humana tem tendência a produzir comportamentos desviantes que inicialmente se traduzem na desestruturação dos valores familiares que por sua vez descuram as gerações vindouras cada vez mais vocacionadas para mundo da ostentação, só que não seja, cultivando do ego pela via que se lhes depara mais acessível...
Não sendo cá o Cidadão um praticante fervoroso, porém entende que na sua essência, os movimentos de cariz religioso, sejam eles de qualquer corrente teológica, em termos colectivos vêm preencher e complementar este espaço da mente humana, orientando os seus fiéis no caminho dos bons princípios e práticas sociais sim, porque se não formos eremitas, estamos constantemente a partilhar o nosso espaço físico e mental com outrem!
Como cá o Cidadão frisou no início desta crónica, a praxe é positiva desde que executada com regras, peso, medida, nunca descendo abaixo da linha da dignidade humana e muito menos extravasando os limites do razoável, bem para além das noções espartanas de cariz militar.
A vulgarização das faculdades, universidades e institutos politécnicos e o fácil acesso aos mesmos, levou a que hoje, na sua regressiva frequência devido à austeridade económica que vivemos, também as praxes se vulgarizaram ao ponto de muitas das comissões que se deveriam incumbir em abalizar os limites do razoável, zelando pela ordem e pela dignidade dos caloiros, perderam completamente a noção das suas funções, tão só porque essas jamais lhes terão sido transmitidas, ao ponto de, a troco da não ostracização dos novos estudantes, permitirem-se a rituais de contornos puramente maquiavélicos na forma de sevícias e consequente a humilhação física e psíquica dos seus súbditos, envolvendo contornos criminais, que ressalvando as situações que redundam em tragédia, é fenómeno juvenil que vai grassando descaradamente perante a indiferença das autoridades públicas, porquanto estas práticas extremas já terão sucedido desde o Século XVIII quando D. João V decretou o fim das praxes depois da trágica morte de um caloiro ou seja, ainda estaremos perante um ritual de iniciação com características medievais. 
Comparemos essa atitude à da permissividade revelada pelos nossos ministros face à sucessão de acontecimentos nada dignificantes nesta área e cuja gravidade vai aumentando de tom, ano após ano...  
Seguramente afirmaria que são as fraquezas da democracia constitucional, aliadas à promiscuidade de interesses dos grupos comerciais onde coabita o amiguismo, tentando-se evitar que em situações críticas os responsáveis pelos estabelecimentos de ensino fiquem fora dos excessos.
Integrado num grupo, facilmente o individuo se deixa afectar ao nível cognitivo na frequência da sua actividade mental, deixando de raciocinar por si, submetendo-se aos ímpetos do colectivo, assim diminuindo a sua capacidade intelectual ao ponto de deixar de se reconhecer a si mesmo, enfim, de perder a sua identidade, contribuindo para uma espiral emotiva e autómata que nada tem a ver com o objectivo iniciático.
Há comportamentos que só por si o individuo jamais assumirá devido a razões de ordem inibitória e preconceituosa, mas quando integrado no colectivo, esses poderão extravasar para áreas bastante perigosas, não só por razões de ordem psíquica como pelo conflito entre energias e ondas cerebrais, alheando o grupo dos valores e princípios morais e sociais, ao ponto de numa hipnose colectiva de ordem espontânea os poder reduzir ao puro reptilianismo e consequentemente, perante uma sucessão de estímulos, conduzindo a comportamentos puramente tribais tanto mais vincados quanto menor a consolidação de valores, desvanecendo-se logo que grupo se desfaz, e nesta geração tecnológica, um dos expoentes máximos do primitivismo digital.
Estamos perante um paradoxo da partilha social onde se vêm posto em causa os valores da liberdade, da igualdade, da dignidade, da integridade física e dos mais elementares direitos humanos ode no êxtase da espiral se transvasam todas as hierarquias sociais ao extremo de nem se respeitarem os docentes?!
Não havendo elemento capacitado de liderança positivista inserida no bom senso social, estes momentos poderão redundar em terríveis consequências e são precisamente estas trupes de escroques sadomasoquistas desprovidos de quaisquer valores, comandados por valentes Dux que depois de acontecerem as tragédias e chamados à responsabilidade, não passam de ratos assustados, sob amnésia total, que têm vindo a contribuir fortemente para a erradicação das praxes académicas!
No contexto das praxes académicas podemos concluir sem grande margem de erro que tudo é entregue "ao Deus dará" e enquanto estes comportamentos não forem sanados, enquanto nos lembramos dos seis jovens que só numa noite perderam a vida na praia do Meco, enquanto nos lembrarmos de uma vítima que seja, jamais qualquer género de praxe terá razão de ser!
Assim se vão formando as novas gerações, excepto aqueles que por razões fúteis vão tombando pelo caminho...
Estará cá o Cidadão errado nesta breve reflexão? 
Para mais opinião viaje até TRETAPRAXIS.

domingo, 5 de janeiro de 2014

FRUSTRACIONAL !


FRUSTRACIONAL !

  É-nos fácil escrever torto por linhas direitas, difícil é escrevermos direito por linhas tortas e para o conseguirmos, necessitamos de concentração e paz de espírito...
Pelo paradoxo que se nos afigure, as quadras do Natal e passagem de ano, são épocas de súbito consumo associados ao adereços festivos, não nos propiciando as melhores condições para a escrita...
Chegou a oportunidade de cá o Cidadão postar uma breve dissertação sobre alguns itens com que teremos de viver durante o ano de 2014, que agora entrou em acção...
Começando pelo nosso cantinho, terão vosselências sido visitados por uma parga de fulanos das empresas de fornecimento de Internet no sentido de vos proporcionar pacotes de serviços mais completos, chegando ao ponto de assustarem os potenciais clientes com notícias forjadas de que findado o ano e devido às negociações entre as empresas prestadoras de serviços, nomeadamente a alienação da estação do Belmiro aos offshores da Isabel dos Santos, em breve veríamos os contratos e a ligação anulados, conseguindo por tais meios estabelecer com os clientes de boa-fé, os incautos, os precipitados ou os menos esclarecidos, novos contratos de adesão a pacotes aparentemente aliciantes... mais tarde se verá o resultado...
Acredita-se pois que o módus operandi destes cavalheiros se adapte à região onde actuam...
Mudando as agulhas, está quase chegada a hora de recebermos a próxima “factura ambiente” dos Serviços Municipalizados de Abrantes e sobre esta, enquanto não for incriminado por delito de opinião, cá o Cidadão abt também tem umas letrinhas a escrever...
Fez a nossa presidenta alarde de que em esforçada boa vontade, compreensão e considerando a crise avassaladora que nos atordoa, este ano não irá mexer no preço do consumo da água fornecida pela empresa da edilidade mas, como tendo o bom do português sempre um “mas” no cartório, o mesmo não se passará com o saneamento e os resíduos sólidos que só por acaso são parcelas da mesma factura... para os domésticos a coisa irá subir 0,025 cêntimos, enquanto que para o comércio que ainda mantém os contadores activos, o acréscimo rondará os  0,4 cêntimos por metro cúbico de água consumida...
Quer isto dizer que o munícipe tubuco e doméstico, irá desembolsar mais 56 cêntimos mensais por cada dez metros cúbicos de água consumida...
Aqui, funciona novamente um paradoxo na merda!
Primeiro, o preço da água não sobe mas os resíduos sólidos sim e considerando o empobrecimento social com que nos debatemos, consequentemente sendo o caviar, a santola, os frutos do mar, o cherne e a picanha tendencialmente substituídos por pão e água, não se entende porque terão os quimos da digestão que ser mais onerosos... 
Supostamente porque a produção terá sofrido um considerável decréscimo e neste contexto também funcionará a lei da oferta e da procura!
O valor do produto será inversamente proporcional à quantidade produzida...
Ao atingir os 95% de eficácia na separação do lixo doméstico pelos respectivos contentores, cá o Cidadão abt já alcançou um estágio psicomotor bastante aproximado ao do orangotango mas nem assim nota que tais automatismos lhe tragam benefícios económicos!
Como a conversa já cheira mal, há que mudar de agulha...
Está chegando a altura dos munícipes irem sendo surpreendidos com as facturas de liquidação do Imposto Automóvel, momento oportuno para perceberem como o nosso governo se quer safar da crise devida à escassez de tráfego rodoviário, após terem sido incrementados os valores onerosos a pagar por quilómetro de ex-Scut, transferindo a tese do “utilizador- pagador” para a prática do “pagador -não-utilizador” sem nos esquecermos da medida Sócrates que a seu tempo fomentou um valor acrescido de 7,5 cêntimos por litro de combustível, para subsidiar as nóveis auto-estradas, jamais se anunciando o fim de  tal medida...
Aí sim!
Todo o cidadão desvendará quanto é penalizado no dito cujo imposto, fundamentalmente se o seu adereço rodoviário alojar uma valente récua por debaixo do capôt!!!
Foi importante ouvirmos a mensagem de bom ano proferida pela precocemente reformada Presidente da Assembleia da República, perante os microfones da Rádio Renascença...
Diz-se por aí que a senhora se aposentou com dez anos de serviço por ter uma complicaçãozeca na L-5 o que em nada coincide com os reformados expulsos do hemiciclo por perturbarem a ordem de trabalhos e a quem mais uma vez o Governo lhes corta nas míseras pensões, esta senhora de chorudo tacho e reforma dourada que não gosta de ser contrariada nem muito menos identificada como filha do alfaiate de Valpaços e que segundo o seu manifesto, o público não deveria aceder à casa da democracia, tomou a iniciativa de nos enriquecer o vocabulário com termos inovadores, revelando o quanto estamos entregues a uma pandilha de neo-pedantes vazios de conteúdo!
 (... ... ...)
“Temos sempre um receio humano de não conseguir. O meu medo é o do inconseguimento, em muitos planos: o do inconseguimento de não ter possibilidade de fazer no Parlamento as reformas que quero fazer, de as fazer todas, algumas estão no caminho; o inconseguimento de eu estar num centro de decisão fundamental a que possa corresponder uma espécie de nível social frustracional derivado da crise."
(... ... ...)
“Tenho medo do egoísmo, do egoísmo que nos deixa de certo modo castrados em termos pessoais e nos deixa castrados em termos colectivos.”
(... ... ...)
São tiradas infantásticas dum discurso com inconseguimentos frustracionais que só assentam bem na escrita de Mia Couto e "castrados", andamos todos nós há demasiado tempo!
Numa primeira impressão suopôs-se que distraidamente a senhora tivesse desatado a falar em mirandêsposteriormente se percebendo que começando os portugueses a entender à légua a  terminologia para-lamentar, como "colossal", "taxar", "cobrar", "lixar", "despedir",  "empobrecer", "tirar", "despejar" e "subtrair", resolveu a jovem reformada inserir novo vocabulário no sentido de deixar o Zé-povinho a apanhar chapéus!
Depois do prosaico Marcelo Rebelo de Sousa ter vindo para a televisão falar-nos em "inaguentabilidade"  de imediato percebemos que realmente estão todos virados para o mesmo!!
Reparemos que com os cortes nas pensões e o aumento da idade da reforma, até o Belmiro dos supermercados meteu as avózinhas dando o litro nos anúncios comerciais!
Temos aqui um perfeitíssimo Modelo inContinente!...
Em tempos difíceis, nada melhor do que reciclar a prata da casa!
De desfelicidade em desfelicidade, a ver se cá o Cidadão aborda um assunto mais agradável...
A iminente desentrada da crise!
Como foi alvitrado pelo nosso Primeiro-Ministro na sua mensagem de Natal, baseando-se num ténue sinal de estatística de desemprego ficcionada em 98200 postos de trabalho, Portugal estará a dar a volta à crise e como sinal de abastança, a Ministra das Finanças em exercício promoveu o sorteio semanal de um automóvel pelos contribuintes que coloquem o seu número de identificação fiscal nas facturas!
Perante esta singela medida é certo e sabido que cá o Cidadão se desincerimoniou em introduzir os números fiscais do ministros da Nação, nas facturas dos cafés, das bolachas e seus afins no IRS, tendo em considerando que os talões dos preservativos sempre foram registados com o número fiscal do Paulinho das feiras, esta Dama das Camélias que apenas toma cerca de 30% dos pensionistas nacionais por pobres!
Segundo anunciou o senhor Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, a coisa pegou e agora é de se ver o povo a troikar as raspadinhas e os boletins do totoloto e do euro-milhões pelas rifas do Ministério das Finanças!
As primeiras carroças alvo de sorteio deveriam ser as pilecas que o nosso sorvedouro estatal disponibiliza às arrastadeiras, Secretários de Estado e Ministros e outros gestores públicos que se safam à pála desta jangada de perdas!
O facto de recebermos em primeira mão um automóvel desvelho em folha não será tão linear quanto isso, se bem que já as avós dos nossos mentores não davam ponto sem nó!
Se no sorteio semanal formos contemplados com uma carripana do Ministério das Finanças, é certo e sabido que teremos de desembolsar o valor do IVA e do Imposto Automóvel que numa caranguejola de gama baixa rondará os 2800 euros, revertendo a favor de quem?!
Do promotor do sorteio, claro está!
Afim de desperdermos um presunto vamos ter que desreceber o porco inteiro e por conseguinte não sabemos bem qual o género de viatura que de momento indesejaremos...
Para desmales maiores, o mais certo será sortearem-nos papa-reformas!
D'ora avante e com o intuito de apanhar a carripana, cada vez que se deslocar a um templo de consumo, este praça passará a pedir uma factura por cada artigo adquirido... por exemplo se comprar meia dúzia de cervejas médias solicitará uma factura por cada garrafa, se adquirir um quilograma de maçãs, quererá os frutos pesados à unidade com a emissão das respectivas facturas, se pretender uma dúzia de pães exigirá facturação por cada paposseco, se quiser um pack de iogurtes, quererá uma factura por copo e assim sucessivamente, aumentando consideravelmente as probabilidades de lhe calhar o prémio!!!
Estará mal pensado?

No que respeita à assistência na saúde, também o nosso Governo tem feito algo mais pela sucapa...
Por exemplo, o leque de medicamentos comparticipados desaumentou consideravelmente, sendo que alguns deixaram de ter os seus genéricos equivalentes e quanto às comparticipações nas prestações de serviços de saúde a coisa tornou-se bastante mais selectiva.
A pensionista que lhe seja receitada uma endoscopia baixa a realizar em clínica de parceria, ou o desgraçado aceita que lha façam a sangue frio...
...ou caso pretenda algo mais confortável, terá que desembolsar aproximadamente 75 euros pela anestesia...
“Os portugueses têm que ser menos complacentes e menos piegas”.
Disse o Primeiro-Ministro Passos Coelho em certo dia. 
Quando muitas das parcas pensões de reforma dos idosos revertem para sustento dos seus descendentes que caíram em situação de desemprego de longa duração e todos os dias dezenas de jovens resolvem emigrar em busca de melhores condições de vida e este senhor do Governo português afirma sistematicamente que há ténues indícios de saída da crise, só pode viver num país das maravilhas, que não se identifica com o nosso!!
Para finalizar esta dissertação, cá o Cidadão questiona onde estaria pregado o teleponto aquando o Cá-Cá de Belém cavaqueava a sua mensagem de ano novo...
Pelos olhares botados, decerto que estaria suspenso na braguilha do cameraman ou ao afirmar que lhe têm calhado sempre as situações mais complicadas que o país atravessou, o inquilino da Residencial Sénior de Belém assistiria à fuga das ratazanas e demais vermes rastejantes!
Começamos bem o ano, dando pérolas a porcos!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

SNOWDEN

SNOWDEN

Uma criança nascida hoje irá crescer sem qualquer concepção de privacidade.
Elas nunca irão saber o que significa ter um momento privado para elas próprias, um pensamento não gravado nem analisado.
E isso é um problema, porque a privacidade é fundamental.
Privacidade é o que nos permite determinar quem somos e quem queremos ser...

domingo, 22 de dezembro de 2013

UM NATAL NA LUA

UM NATAL NA LUA

Umas voltas dadas pelos arrabaldes da city tubuca foram suficientes para cá o Cidadão constatar que uma parte dos seus concidadãos andam na Lua...
Humanos de olhar distante deambulam pelos templos de consumo enquanto nos postos de combustível se vão abstraindo em fechar o reservatório ou retomam a viagem com a bagageira aberta e no centro histórico os impávidos lojistas assistem estóicos aos transeuntes alheios às montras...
Frustradas meninas atentam derradeiros clientes para o mundo virtual das telecomunicações enquanto outras prometem redutos de dinheiro fácil materializado em coloridos cartões plastificados que materializam sonhos mesclados no sentimento de ostentar a derradeira moda tecnológica...  
Lenta e suavemente se vão esvaziando os dias desta quadra natalícia algo estranha...  

...onde até o Pai Natal parece ter-se demarcado da sociedade em recessão consumista...
Pois, caros ciberleitores... certamente que já destes pela falta do homem vestido de vermelho... 

Se quiserdes saber para onde o promotor do refrigerante à base de coca se escapuliu, navegai até aqui...