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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os seus objectivos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, adormecidas... ou anestesiadas por fórmulas e conceitos preconcebidos. Embora parte dos seus artigos possam "condimenta-se" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade com libertinagem de expressão" no principio de que "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros".(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico e por vezes corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausadamente, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas análises, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell).Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de blogues a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, o que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão com alguma delas... mas somente o enriquecimento com a sua abertura e análise às diferenciadas ideias e opiniões, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais e válidos para todos nós, dando especial atenção aos "nossos" blogues autóctones. Uma acutilância daqui, uma ironia dali e uma dica do além... Ligue o som e passe por bons e espirituosos momentos...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

OU 8 OU 8O!

OU 8 OU 80!

Anónimo disse...

Anda você a passear por Constância a conversar com o camões e a gente em Vale de Rãs com falta de pressão de água nas torneiras e com lodo que nem dá para por uma máquina de lavar a funcionar nem ligar o esquentador da água quente. Veja lá se fala disto.
Jorge F.

7 de Outubro de 2008 8:54

Ôba! Chega prá lá essa bôca! Ocêi mji tá tratando por “você” nei? “Você” é coisa dje estrêbária, pôcha! Ocêi não mji fica tratando por “você”, tá? Não tou paquêrando com meus contcherráneos por causa déssa cêna dje “você”, vale?

No que concerne ao assunto vertido por Vossa Excelência, referente ao oportuno comentário atrás exposto, o Cidadão teve que tomar o cafezito em Vale de Rãs para se inteirar do assunto, fazendo assim… tipo “Zé da Cachoeira” (olá!), e descobriu desta feita, que nos finais da semana transacta, pelas 21 horas, uns senhores municipalizados andaram para aí a apertar as “tarrachas” da rede das águas, reduzindo a pressão do fornecimento de água, de sete bars para uns modestos dois bars e meio, com o intuito de evitar roturas nas canalizações… e consequentemente dificultar o normal funcionamento dos equipamentos domésticos! Ou seja reduziu-se de “oitenta para oito”! E que tal se pusessem a “coisa” aí pelos quatro ou cinco bars? Talvez resultasse…

Mas o Jorge F. não se preocupe… porquanto não tardará muito, serão acrescentadas a “tarifa de baixa pressão”, a “tarifa de lamas”, a “tarifa de interrupção de fornecimento de água”, “tarifa de passagem de ar”, ás já existentes tarifas… deixe cá ver… “de água bem escalonada”, “de disponibilidade”, “de saneamento fixo”, “de saneamento variável”, “de saneamento adicional”, “de resíduos sólidos-fixo”, “de resíduos sólidos-variável”, (com estas, o Cidadão ficou a apanhar bonés) e…” Iva a 5%”, ás nossas facturas taxadas!

È uma taxice!


sexta-feira, 3 de outubro de 2008

OS BARULHOS DO SILÊNCIO I




OS BARULHOS DO SILÊNCIO I
Primeiro capítulo – O homem de bronze
Eram duas horas da madrugada… vejam lá, em vez de o cidadão estar na caminha, andava a vaguear por Constância… só… porque vale mais só, do que mal acompanhado… o nevoeiro teimava em progredir, desde o rio até às primeiras habitações da vila… a luz amarelada… fraca e difusa dos candeeiros da iluminação pública atravessava com dificuldade a névoa e a folhagem das árvores circundantes… o Cidadão tem por vezes a ideia de caminhar solitariamente, nas profundezas das noites mais sinistras em busca do silêncio… e dos barulhos do silêncio… distante de tudo… distante da poluição sonora que impede o escutar de outros barulhos mais discretos… como os da noite… deslocava-se junto ao rio Zêzere, ouvindo o marulhar das águas á sua direita… que se misturavam com as do Tejo… tracejado pelo pio do mocho, um pouco mais distante… o restolhar da folhagem das árvores, tocada pela brisa fria que de vez em quando se fazia sentir na pele… anunciando o início do Outono… a certa altura percepcionou um murmúrio muito ténue… aparentando uma voz grossa, rouca, mas distante… que parecia aproximar-se com o tocar da brisa… dizia qualquer coisa parecida com isto:
- “a, b, b, a; a, b, b, a; c, d , c; d, c, d”…
E passado um bocado, a uma coisa parecida…
-“a, b, b, a; a, b, b, a; c, d , e; c, d, e”…
O Cidadão parou… pôs o ouvido á banda… hum… parecia vir dali… deu mais umas passadas… e o nevoeiro também… pareceu-lhe avistar um vulto mais adiante… curioso… um indivíduo aparentava estar sentado… o Cidadão aproximou-se, mas com cautela… podia ser uma armadilha… olha é um homem sentado numa espécie de um muro e por detrás… uma lápide enorme com uns dizeres… e um enorme meio arco em betão armado… que o nevoeiro ocultava parcialmente…, novamente… aquele murmúrio gutural…
-“a, b, a, b, a, b, c, c,” …
O ruído vinha do vulto… o Cidadão aproximou-se ainda mais… o homem sentado… tinha uma folha nas mãos… olhos bem vivos… e um cabelo ondulado… seria algum fantasma?! O Cidadão, curioso com o encontro imediato de terceiro grau, debruçou-se sobre aquela figura… e com um ar instrospectivo… dando umas pancaditas com os nós dos dedos no peito do artista, de seguida… na testa… resultando num ruído oco e metálico… Hum…
-”Olha! Deve ser mesmo de bronze… um homem de bronze…”
Murmurou o Cidadão… Entretanto reparou no verdete que se alojava nos vincos e dobras das vestes. Com especial incidência na zona dos sovacos… passou-lhe com o dedo indicador… como que a tentar retirar o verdete… quando, subitamente, do interior da figura se ouviu…
- Oh! Oh! Oh! Hiiiiiii… hiiii…. hiiii… hi! Oh! Oh! Oh!
Caraças!!! C’a ganda susto!!! Atão, o gajo não se estava a rir?? O Cidadão depois de recuperar, foi espreitar por detrás do tipo… mas não… não havia ali mais ninguém… só mesmo cá o Cidadão e o tipo de lata!! Hum… já agora… deixa cá ver…
- Ó rapaz… estás bom… ou quê?
Indagou o Cidadão a experimentar… uma vez que não havia ninguém a observar…
-Estou, mais ou menos… enregela-se aqui sentado e quieto… mas depois um tipo habitua-se…

Poças!!! Outro ganda susto!! Não é que o “latas” tinha respondido mesmo??? O Cidadão pigarreou… não queria mostrar medo… sentou-se com jeito junto ao fulano… quando sentiu o traseiro molhado! Tinha-se esquecido que a humidade do nevoeiro encharcara tudo á sua passagem… e voltou á carga…
-Olha lá… como te chamas?!
-Camões, Luís de Camões…
-Então… e estás aqui há muito tempo?
-Desde que aqui me colocaram…
-Ah! Já sei! És o tal que escreveu um livro… não me lembro agora como se chama…
-Os Lusíadas!
-È isso mesmo, “Os Lusíadas”! Mas tu viveste aqui em Constância… foi?
-Por pouco tempo…
E assim se foi quebrando o gelo entre um Cidadão petrificado e o tipo de bronze!
-Bom vou-me embora que já é tarde e a Companheira deve estar a estranhar a minha ausência… com licença.
-Espera! Não vás! Fica mais um bocadinho… tu só tens uma Companheira, é?! Eu tive muuuiiitas!
-Ah sim?!
-Olha. Sabes uma coisa que te digo? As pessoas passam por mim, olham para mim, tiram fotografias ao pé de mim, filmam-se ao pé de mim mas não me ligam pevide! Tratam-me como um objecto!
-Mas isso não acontece só contigo, Camões! Também acontece com muitas pessoas de carne e osso! Principalmente com as mulheres! Enquanto solteiras, são pessoas bastante consideradas… depois de casarem… é o destino de algumas…, passam a ser objectos… no segredo dos seus lares!
-Ooooh! As mulheres, as mulheres! As mulheres foram a minha perdição!
-Então mas porquê?! Fizeram-te mal? Foi?
-Não, mas para isso tinha que te contar toda a minha vida… porque essas ninfas de perdição foram uma constante da minha vida desgraçada! E não estás com vagar para me ouvir…
-Vá! Vai lá contando… que a noite ainda é uma criança… tu disseste que estiveste aqui pouco tempo… então de onde eras?
-Olha, para começar, nasci em Lisboa… aí pelo ano de 1524 ou 1525…
-Então, não sabes o ano em que nasceste?!
-Pois pois… naqueles tempos não havia bilhetes de identidade…
-Mas os teus pais eram de lá ou foram da província?
-Nem eram de Lisboa nem foram da província… eram de Coimbra… descendentes de famílias fidalgas, o que me foi valendo… e também fazia com que atraísse aqueles amigos de ocasião… mas sabes que fiquei sem o meu Pai, ainda era muito novo? Ele partiu para as Índias á procura de ouro e riquezas e por lá ficou… dizem que morreu em Goa… chamava-se Simão… Simão Vaz de Camões… e depois a minha Mãe voltou a casar-se com outro caramelo… que eu não gramava… no entanto o meu tio, D. Bento de Camões, que gostava de mim, pôs-me a estudar nuns conventos de Dominicanos e Jesuítas… daí, esse meu tio mandou-me para Coimbra, a estudar Artes no Convento de Santa Cruz onde ele era o Boss! Introduziu-me nos meios aristocráticos, com a ideia de eu seguir a linhagem da família, onde estudei literaturas e obras de grandes poetas e filósofos! Aí, às escondidas do meu tio, dava umas fugidas e encontrava-me com umas moças jeitosas. O meu tio topou o esquema e recambiou-me para Lisboa… Mas a revolta e a aventura corriam-me no sangue… e aí, ao frequentar os Paços de Noronha embeicei-me por uma dama da Rainha, D.Catarina de Ataíde… e vê lá, tomei-lhe o gosto e enamorei-me pela irmã de D.João III, Rei de Portugal! Uma ganda bronca!!! Era a Infanta D. Maria, vê lá tu!

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente ;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer..."


-Isso já em Lisboa…
-Pois! Daí em diante, o pessoal colava-se a mim, por causa das minhas relações no seio da nobreza, e era um ver se te avias… noitadas, copos, amigos da vadiagem que provocavam distúrbios na noite Lisboeta, mulherio do pior, bordéis, e o Malcozinhado era o da minha eleição! Sempre a aviar!...
-Então quer dizer que eras um put...
-Eh! Está calado com essas bocas foleiras, pá! Olha que nos podem ouvir! Eu era um mulherengo… isso sim!
-Eras um rabo de saia… um p…
-Queres ver? Queres ver que levas com os “Lusíadas” na carola?!
-Não podes…
-Não posso?! Mas não posso porquê?
-Porque nessa altura ainda não os tinhas escrito!
-Ah! Pois é!
-Mas… continua… vá!
-Ora bem… para aí em 1548, depois de me meter em bastantes rixas e brigas de rua, onde a naifa estava sempre presente…
-Eras um faquir…
-Oh! Pá! Cala-te e deixa-me contar! Tinha os meus 24 anos, quando me recambiaram para a vila de Punhete! Devia ser para acalmar os nervos e a testosterona!!
-E onde era isso!?
-Era aqui! Porra! Também não percebes nada! Dããã!... Aqui sim, é que as ninfas eram formosas!
-O que é isso… das ninfas formosas?
-As gajas eram boas! Boazonas! Podres de boas!!!
-Ah sim mas hoje em dia, continuam a ser bonitas… as raparigas!
-Não, já não é como dantes… estou aqui sentado e bem vejo… passa por aqui com cada comboio!
-Olha que não é bem assim… Camões… as mulheres são sempre lindas… mesmo que não sejam lindas fisicamente, tem a sua beleza interior… e depois… para um sapo, nasce sempre uma sapa… Camões… nunca digas isso de uma mulher! Foi a mais bela obra feita no universo… Camões!
-Sabes que ás vezes também tinha essa noção, quando me apaixonava perdidamente e já não importava a carne, só mesmo o espírito… era assim uma coisa…. Como hei-de dizer… Platónica e entrava em Lirismos!

"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar,
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada."


-Que lengalenga é essa?
-Lengalenga o caraças! Estes são versos dos meus poemas!!!
-Mas Camões, não me digas que aqui em Constância… tu… também… truca, truca…
-Não gozes… tá! Olha que me passo dos carretos e espeto-te a naifa mesmo aí no pescoço!!
-Não podes…
-Mas não posso porquê? Ãh? Ãh?
-Porque és de bronze…
-Ah! Pois sou… Mas olha, realmente era quase isso… as garotas eram lindas!... Eu ia espreitá-las para ao pé do rio… e vê-las a banharem-se e a lavarem as roupas… naquelas posições… sabes…
-Bom… Adiante! Adiante!
-E era vê-las a banharem-se nas águas do Tejo e do Zêzere… todas despidas…
-Ah! Gandas maluuucas!
-E mais, eu espreitava-as quando iam buscar água às fontes, com as suas bilhas de barro… era vê-las a elevarem as talhas à cabeça… com os seus movimentos sensuais… e depois transportá-las segurando as asas com as mãos… deixando revelar formas inexpugnáveis…
-Hummm… e tu partias-lhes as bilhas todas… estou mesmo a ver!
-Mas não me saem das cabeça… eram uma loucura de mulheres! Até lhes pus um nome lindo… as Tágides! Dediquei-lhes poemas e tudo!

"Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tam suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo."


-Eh! Pá! Fala mais baixo que acordas o pessoal!!!
-Chato, pá! Ès um chato!
-Hoje também há moças assim…
-Há? Só se fôr nas Pomonas! Aí sim… é ver as minhas belasTágides desfilando… e eu aqui... que nem posso fazer nada!!! Um homem não é de ferro! Sabes?
-Mas és de bronze…
-Olha não gozes! Tá? Agora para aqui a zombar com a desgraça dos outros!!!
-Diz-me lá então… quando é isso das Pomonas… para eu poder cá vir espreitar as tuas Tágides?
-È no Dia da Raç… ai, ai, ai, não posso dizer isto que ainda me atiram ali para dentro do rio e afogo-me! Quero dizer… é no Dia de Portugal e das Comunidades, a 10 de Junho… ninguém ouviu eu dizer “Dia da Raça”, pois não?! Senão estou feito e vou parar ao Tarrafal!
-Isso já não existe…
-O quê?
-O Tarrafal!
-Isto está muito mudado!!
-Um bocadinho… E depois? Continua… Que estou a gostar… mas não percebi ainda uma coisa… viveste aqui em Constância…
-Punhete!
-Prontos, aqui em Punhete… mas tinhas que comer… vestir… dormir…. Etc!
-Ah! Pois, eu era um teso, mas um teso de boas famílias… e tinha amigos por aqui, cheios de grana, que me iam sustentando… como eu era brigão, passaram a alcunhar-me do “Trinca Fortes”.
-E tu a fazeres estragos… as miúdas não topavam os teus esquemas? Meu grande maroto!!!
Estragos o caraças!! Também ia escrevendo uns poemas dedicados ás cachopas! E sabes… numa terra de cegos quem tem um olho é rei!...
-E tu tinhas os dois!
-Pois, estás a ver, um tipo brasonado… de boas famílias e com uma ganda lábia… vindo de Lisboa, aqui para a província… elas caíam que nem umas patinhas! O pior era livrar-me dos namorados, dos irmãos e dos cotas delas!
-Estiveste por aqui muito tempo?
-Para aí uns seis meses… mas depois os velhos delas começaram a pedir-me contas…não me largavam a peúga… e tive que me pirar!
-Ah! Estou mesmo a ver… seis meses… coisa e tal… não haviam camisas para te protegeres….
-Não havia camisas para me proteger?! Olha que haviam sim senhor!
-E como eram?
-De latão!!!
-Porra! Olha o meu! E isso funcionava mesmo?
-Se funcionava! Nas rixas com os Mouros infiéis, sempre um gajo se protegia das lanças e das punhaladas dos tipos!
-Não, não são essas das armaduras, as que me refiro… são as outras…
E aqui o Cidadão apontou para o chão.
-Ah! Dessas! Essas eram de tripa!
-De triiipa!!!! Mas tripa de quê?
-Tripa de porco…
-Daquelas de encher chouriços?!
-Sim!
-Ah! Ha! E de encher linguiças!!!
-Essas… usa-las tu!!!
E aqui é que o Cidadão perdeu uma oportunidade de estar calado…
-Eh! Eh! Eh!
-Hum… devem haver por aí muitos descendentes teus…
-Chiiiuu! Não fales alto que nos podem ouvir! Que não lembre, nem ao Diabo!!!
-E a seguir… disseste que te piraste… mas para onde?
-Oh! Pá! Alistei-me na Milícia do Ultramar e no Outono de 1549 zarpei para Ceuta… isso é que era dar porrada naquela mourama! Queríamos expandir a fé Cristã… o mercado e o Império Português… Só que um dia… descuidei-me… e foram-me ao olho!!!
-C’um caraças e isso deve ter doído!!
-Foi o direito… daí em diante comecei a andar de pala, que passou a ser a minha imagem de marca! Vim para Lisboa em 1551, tinha eu… uns vinte e seis anos… entrei em depressão, pessimismos… pus-me a magicar naquelas cenas das Filosofias, existencialismos e coisas assim, o moral e o imoral, e entrei novamente em Lirismos…

"(...) Que castigo tamanho e que justiça.
(...)Que mortes que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimenta."


-Xiiiu! Fala mais baixo, já disse! Já viste as horas que são? Há gente a dormir!!!
-E as gajas gozavam comigo… desprezavam-me… vê lá tu que uma até me chamou “cara sem olhos…” mas também lhe respondi assim:

“Sem olhos vi o mal claro
Que dos olhos se seguiu:
Pois cara sem olhos viu
Olhos que lhe custam caro.
De olhos não faço menção,
Pois quereis que olhos não sejam;
Vendo-nos, olhos sobejam,
Não vos vendo, olhos não são.”


-Entretanto as pessoas iam mudando de ideias e de opinião… consoante os interesses individuais… as conveniências e as necessidades… era a cobiça e a hipocrisia que imperavam…

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."


-Vamos, baixiiinho… Então… e depois?
-Meti-me outra vez na night, na borga, na boémia… e os amigos de ocasião colavam-se a mim! Neste ambiente também arranjei amigos leais, daqueles a sério, que estavam presentes nos momentos bons e nos maus momentos, que discutiam comigo quando era preciso, ou seja, amigos sinceros… até que em 1552, vagueava eu pela noite no largo do Rossio de Lisboa e dou de caras com dois mascarados a esgrimirem com um tipo, cavaleiro Real, de nome Gaspar Borges! O gajo se lutava bem! Era um osso duro de roer! Depois reparei que os mascarados eram meus amigos e estavam á rasca com a destreza do tipo, entrei na rixa em socorro deles! O que fui arranjar! Enfiei uma naifada no cachaço do Borges e aquilo é que jorrava sangue por tudo quanto era sítio! O gajo esteve vai-não-vai para bater a bota! Olha… fui de cana! E estive assim durante um ano a ver o céu aos quadradinhos! A minha mãe, tanto chateou os ministros do Reino e o próprio Borges, para me perdoarem que um dia lá se resolveram a libertar-me… graças, também ao Borges se safar de morte certa! Com um senão: Quatro mil réis de multa, e marchar para a Índia e durante os próximos três anos participar como soldado nas missões das milícias do Oriente!
-Olha lá. Escreve-se “Camões” ou “Camães”?
-“Camões”… porquê? Tu às vezes fazes umas perguntas esquisitas!!
-Nada… não é por nada… era uma dúvida que cá tinha…
Trrim…. tim… tim… trrim… tim… tim… trrim… tim… ti..
-O que é isso?
-È o meu telemóvel!! Tou? Ah! És tu, Companheira… não, não, está tudo bem!... Sim, bem sabes que não… pois… que horas são? Três horas… se vou para casa? Vou pois… onde é que estou? Estou com o Camões! Vou gozar com outra? Não! A sério, estou aqui em Constância… a conversar com o Camões… Quem é esse Camões? A estátua!... Vou bugiar?!... Olha querida… a sério!... Não estou nada numa discoteca… nem numa casa de meninas… é mesmo o Camões… caraças! Vou chatear o Camões? Não, querida… Não bebi nada!! Chata, pá! O quê? A gata Cristie já pariu? São seis? Ganda ninhada!!! Ando na vadiagem?! Sabes bem que não! Já aí vou ter, querida! Até já!
-Então?!
-Oh, Camões, tenho que me ir embora!
-Já?!!!
-Sim… a minha Companheira está fula! Ainda não apareci em casa, a uma hora destas!!!
-Não vás! Fica mais um pouco…
-Não pode ser! Já é tarde! Mas eu volto… Prometo!
-Olha, eu fico aqui sozinho, no meio deste nevoeiro, e cheio de frio… enregela-se aqui! Volta, por favor… não te esqueças de mim… já há muito que não conversava assim com alguém!...
-Adeus Camões… dá aí um aperto de mão!
-Não posso… já te esqueceste que sou de bronze…
-Pois é, Camões… mas olha… volto para a semana… prometo…
-Snif… snif… snif…
-Olha agora! Uma estátua não chora!!!
-Adeus…
-Adeus…
-Tchau!
E assim o Cidadão regressou cabisbaixo, ao seu lar, de rabiosque molhado… e pouca vontade… mas com a promessa de voltar a visitar este grande amigo bronzeado… sim porque o Cidadão gosta de fazer amigos de diferentes ideais, credos ou raças… mesmo que sejam de bronze… ou de granito! E depois… “mexer-lhes nos neurónios”… não se deixando envolver emocionalmente, partindo do princípio que a amizade está acima de tudo!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

ALGUÉM I


ALGUÉM I
ALGUÉM TE OFERECEU UMAS “ADIDAS” EM VEZ
DE UMAS “NIKE”??
ELES SÓ TÊM UMA MARCA!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

CHETAXÃUMM…



CHETAXÃUMM…

-Dá licença, Shou Dótor?
-Faça o favor de entrar… e sente-se aí!
-Ó Shou Dótor, olhe o que me afonteceu hoje, logo de fadrugada!
-Óh pá… isso está mesmo feio! Como foi que arranjou esse bonito serviço?
-Feja bem, ia aqui o Fidadão a afanhar o fomboio do oferário na festação do Rossio. Fomo já estava em fima da hora, fia ligeiro, em marcor, no fasseio ali da Avenida Dr. Augusto da Silva Martins, esfava nefoeiro, e fuando ia na fase do cor, fumba! 
“Chetaxãummm!!!”, voi o varulho que vez fuando fulidi com um voste ali escarrafatchado no faminho! Afinda fambaliei, fara a esquerda, fara a direita, fara frás e fara a frente, afinda rodofiei sovre fim mesmo… vas o faco do farnel que frazia a firacolo fez contrabalanço, vuncionou fomo vêndulo, e vevido á vorça fentrífuga vez vontravalanço e… esvafelei-me cos vostados no feio do chão! Faí vomecei a oufir uma velodia… farecia affim… um vom do fipo vúsica dos Hindus… Fainda avareceu um feimado vaído do fevoeiro ve me ferguntou:
-“Taj maal ó quê? Cum canudo!! Fens uma vose fara mim!! Fe granda vanza, feu!! Visso é foverdose ou a cena era fura?”
Voi quando feu visse: “Fá, arreda, que eu vou de fôas vamilias” Eu fão queria ve as outras vessoas me fissem naquelas vompanhias!
- Mas ainda não percebi, você embateu contra um poste, foi?
-Fim, um foste ca pareveu ali, fesmo no feio do vaminho!
-Então e você, ao caminhar, não sabe olhar para a frente? Poças!
-È que fe olhasse vara a vrente, não via as vostas dos lulus no faminho, visava-as e vespois lá ia fara o vombóio a cheirar mal, fão acha? Ò vatano! Isso arde!!
-Ora deixe cá ver… você tem aqui um belo hematoma… mesmo no centro da testa! E está a falar assim, esquisito, porquê?
-É que fambém voi-se um dente fró galheiro!
-Ora mostre cá… abra a boca… abra mais…
-Fããããã…ããããã…ããããããã…
-Mas isso do dente é com o estomatologista!
-Vom o esfomovologista?! Fas eu vão fenho vroblemas de esfômago!!!
-Ó senhor!!! O estomatologista também trata da dentição das pessoas!
-Áh, vor isso é ve se diz, “fôca do esfôgamo”!
- Vamos lá, vou-lhe receitar aqui uma pomada que vai aviar na farmácia… e de quatro em quatro horas coloca uma pedra de gelo nesse hematoma!
-Fisto, vuando a voisa vorre mal a um… forre-nos a todos!
-Hum…
-E isto fai vicar sempre affim?
-Não homem! Isso incha, desincha… e passa!
-Ó shou Dótor, ifo do vematoma é o fesmo que um falo?
-Sim, é isso mesmo. Um galo!!
-Ventão forque é que o Dótor fão há-de famar as voisas pelos vomes?
-Pois é, quando colocam a sinalização não têm em conta a mobilidade das pessoas, e atravessam os postes no meio dos passeios e depois… dá nisto!
-A fobilidade é essa voisa das fessoas faminharem á fontade nos vasseios?
-Sim é isso, mais ou menos…
-È aquela coisa de faverem as vampas junto ás fassadeiras?
-Isso mesmo!
-Fara vepois porem os vostes no faminho?
-Pois…
-Fara defois fulidirmos vrontalmente, e vicar-mos zonzos?!
-Pois…
-E fem dentes?
-Irra!
- Vas então eu viquei ifobilizado!
-Pudera, com uma pancada dessas!
- Ah! Ventão é isso!
-Isso, o quê?
-É que há temvos fá o Fidadão achou esvranho fer um venhor numa fadeira de rodas entalado entre um voste e um muro, ali vunto ao quartel da GNR!
-Espere, repita lá isso!
-Fisso, o quê?
-“Cadeira de rodas”…
-“Fadeira de rodas”, forquê!!!
-Nada, nada…
-O Fidadão até vensou que eram freinos fara os varaolimpicos! Fegundo vontaram, o vomem vazia aquilo vodos os dias! Finha vor aquela afenida avaixo, ali a vartir da Envosta da Varata, felo Modelo, fassava frente á GNR, fempre ás gincanas entre as vloreiras das árvoves, os vostes das luzes, os muros, as fedações, e as faragens dos fautovarros… ia for ali avaixo, fruzamento de Fale de Rãs aviante, até á rotunda do Olival… afé fe um via, fumba! Ficou para ali enfalhado!
-Espere lá, diga “Modelo”!
-“Modelo”, mas… forquê, Shou Dótor?
-Hum… Nada, nada, continue!
-Ai!Aí! Não mexa aí, Shou Dótor! Focê fenha lá fuidado vom iffo! Focê é fruto!!! Fatano!!!
-Ah! Você faz com cada observação!
-Fentão, agora á fusta disto, vá o Fidadão vai ter uns viazitos de faixa, não?
-Sim, daqui, tem que ir a um dentista… mas olhe, entretanto, também lhe diagnostiquei um problema de dislexia, alguma cacofonia, uma certa redundância… mimetismos… e uns certos vícios de linguagem…
-Pudera! Ó Dótor, enfão não vê que isto voi da vorrada?!
Pois, pois! Ora repita lá essa palavra?
-Fual valavra, Shou Dótor?
-“Pudera”.
-“Pudera”, forquê??
-Hum… nada, nada… e depois, não se percebe aquilo que diz!!!
-Ó Shou Dótor, vão ve ferceve o ve eu figo?? Folhe que a vente fanga-se e o famoro afava-se! Afavou a fonversa e frontos!!! E focê ferde um vreguês!... Faraças, Dótor! Assim o Fidadão fai vicar com umas vinhoquices fara fensar!!! E visso é ferigoso?
-Perigoso, como assim?
-Se um fipo vode fir a morrer disso da fafovonia!
-Vamos lá, tenha calma e seja realista! Ninguém morre por uma coisa dessas!
-Vealista, vealista… se o Fidadão fosse vealista até finha medo de vair de casa!
-Então, e porquê?
-Vorque fia vudo negro! Pshh! Pshh! Pshh!
-Então, agora está a cuspir sangue?! E tão vermelhinho! Vê-se logo que você é saudável!
-Ora Shou Dótor, de que côr queria que vosse o meu fangue? Doutra vôr, quer fer?
-Ó homem, evidentemente que não! O sangue é todo vermelho! Vermelhinho! Vermelhão! Encarnado!!!
-Ora forra, ó Dótor, é que vá o Fidadão fá oufiu valar que há vessoas com o fangue azul! O Dótor fabe explicar vomo é que iffo se arranja?
-Ò homem, deixe-se de ideias! Sangue azul têm os insectos!
-Fão oito!
-São oito, o quê?
-Um e secte, Shou Dótor! São oito, não são!!
-Eu não disse um e sete, eu disse os insectos, bolas! Você ouve mal??
-Vealmente ouço uns fumbidos…
-Ah! Então vamos ter que fazer aqui mais uns testes, porque você não está em condições… Ora diga lá, quantos dedos vê aqui, á frente do seu nariz…
-Finco!
-Cinco?! Cinco não! Um!
-Finco zim zenhor! Quatro dovrados e um de fé!
-Também está certo… e agora, está a ver esta esferográfica?
-Vim fenhor!
-Então, diga-me lá , de que côr é que ela escreve?
-Fualquer côr, Shou Dótor!
-Outra poça! Então a esferográfica não escreve a preto? Ora veja, eu a rabiscar!! Está a ver? Estáá?
-Folhe Dótor, quer fer como ela esfreve outras fores! Ummm… umm… ora feja!
-Az.zul! A.ma.re.lo! Ver.me.lho!!!
-Tá a fer, Dótor, a esferovráfica esfreve vualquer côr e fualquer outra voisa até a finta acavar! A vente vode fer uma videologia vas com iffo vode ouvir as dos voutros fenão não há fluralidade de ivéias e iffo emfrovece as vociedades!! E o Dótor fá a fer mal veducado!
-Eu?! Mas… como assim?
-É que o Dótor vanda a vazer festos ovcenos fom os vedos!!!
-Ora essa!! Mas por que carga de água?
-Vez, vez, fe eu vem fí! O Shou avontou vara o Céu, com o vindicador!
-E isso é um gesto obsceno!!!
-Afão não é? Afão não é o festo que o Vim Laden vez vara as votogravias? E vepois o Dótor volocou o dedo folegar fobre o vindinho e os outros vois! Ifo é uma vatitude de vepressão! O volegar fobre os outros! E os outros fubejugados! Venha faciência Dótor! Visso não se Vaz! O vrandalhão a ofrimir os fequinininhos! E vepois, o vindicador é o favusador! E a afontar vara o Féu! Ora veja fem! Fomo na Igreja de Fonstância… vestá um Santo a avontar fara o olho do voutro Santo, forque tem lá um argueiro! Vas o olho do caponta vambém tem um!!! E fá viu ó Dótor, o que feria da mão fe só fivesse vois vedos? O favusador e o vefressor? Finha fouca ufilidade!!
-Você está é a dar-me cabo da paciência!!! È uma tramelga!!
-A famelga, Shou Dótor, a famelga fai andando vem de saúde… a Fonpanheira anda um pouco engripada… é do tempo, sabe? O Vúnior, esse vomeçou o ano lectivo, e a vata Fristie… o Fidadão vesconfia que ela anda frenha!
-Eu disse “tramelga”, não disse “famelga”! Caraças!!!
-Ó Shou Dótor, há fales que fêm vor vem! Ora feja que cá o Fidadão, á vonfersa com o Dótor até se vente fais vescomfrimido! Já há umas femanitas que frecisava de vonversar afim vom alfém! Agora fenho foutro frovlema! Com estes fumbidos, e festas vores, não ve fem nenhuma ideia para esfrever no flogue!
-O quê? Você tem um blogue?!!
-Fim, e fama-se “Frónicas de um Fidadão de Avrantes”!
-E você é que escreve lá?
-Fim, forquê?
-Então… e porque não escreve este episódio que se passou consigo?
-Olhe! Fambém é uma voa idéia, fim fenhor!
-Ora bem… tem que levar… aqui… uma compressa…
-Vompressa Dótor!!! Volhe fe vompressa e vem não há fem! E vais! Vevagar fe fai ao longe! Dótor!
- Vá, pode sair que tenho mais pacientes á espera!
-Fom lifença, Shou Dótor, então fons dias e um fom travalho!
-Faz favor de fechar as portas, sim?
- Falou do Vortas? Shou Dótor? Fual deles?
-Vá, vá, andôr, andôr, e mande lá entrar o outro doente!
-Vadeus!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

TIAN AMÉN


TIAN AMÉN
O molde seria um dissidente, um Tibetano,
um jornalista ou… uma meniiinaaaa!!!!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

TEMPO…


TEMPO…
Primavera, Verão, Outono, Inverno… de manhã, à tarde… à noite!
Quando faz calor…que canícula… estraga as plantações, é desagradável… o frio é que é bom… quando faz frio… até enregela os ossos… e tudo se queima, temos saudades do calor… se chove… é inconveniente… são as inundações… vai tudo por água abaixo… se o Sol brilha… encandeia… e provoca o cancro da pele… ah! Uma chuvinha é que vinha mesmo a calhar… se o vento sopra… é aborrecido… porque derruba tudo á sua passagem e… despenteia… se não mexe uma brisa… aqui D’el Rei que não se faz a polinização… as plantações não resistem!
Há um tempo para nascer… e um tempo para crescer… um tempo para brincar… e um tempo para aprender… um tempo para lutar… há um tempo para viver… um tempo para escolher e um tempo para mudar… há um tempo para amar! Um tempo para reflectir… um tempo para sonhar… e um tempo para criar… também há… um tempo para odiar… e um tempo para sofrer… e no fim dos tempos… ainda nos resta… um tempo… para morrer.
Nascer… crescer… brincar… aprender… lutar… viver… escolher… mudar… amar… reflectir… sonhar… criar… odiar… sofrer… morrer…
E há os motores… a combustão interna… motores cíclicos… a dois tempos e a quatro tempos!
Devemos dar tempo ao tempo porque perdemos o tempo se tivermos pressa em viver todos estes tempos!
Que horas são?! 
Que chatice!! 
O Cidadão já se esqueceu… do tempo que por aqui passou! 
O tempo sumiu! 
É tarde… e tem que ir trabalhar! 
Com licença… até à próxima!
 

domingo, 21 de setembro de 2008

Paulo Alves

“Paulo Alves”

Um blogue em gestação… a equipe do Cidadão colaborou… emprestou os conhecimentos técnicos, só não emprestou a “Bola de Cristal”… Se quiseres ajudar alguém, “não lhe dês o peixe mas, ensina-o a pescar”. As nossas ideias poderão coincidir ou… as nossas ideias poderão divergir mas… isso é irrelevante… daqui para a frente, o importante é seguires o teu caminho. AGORA, FORÇA! BITAITA PARA AÍ!

BEM-VINDO Á GLOBOSFERA!

PARABÉNS