Um blogue que tem por objectivo desancar nas situações que ao Cidadão se lhe afigurem erradas ou desadequadas à vivência social, recorrendo a bons modos metafóricos, satíricos e humorados. A sua leitura é desaconselhada a maldispostos crónicos, a cinzentões e a mentalidades quadradas. Classificado como substância psicoactiva passível de dependência, poderá induzir micções involuntárias no indivíduo. Recomenda-se pois que o seu consumo seja doseado com moderação...
.
Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que asua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os seus objectivos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, adormecidas... ou anestesiadas por fórmulas e conceitos preconcebidos. Embora parte dos seus artigos possam "condimenta-se" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade com libertinagem de expressão" no principio de que "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros".(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico e por vezes corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausadamente, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas análises, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell).Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de blogues a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, o que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão com alguma delas... mas somente o enriquecimento com a sua abertura e análise às diferenciadas ideias e opiniões, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais e válidos para todos nós, dando especial atenção aos "nossos" blogues autóctones. Uma acutilância daqui, uma ironia dali e uma dica do além... Ligue o som e passe por bons e espirituosos momentos...
Os Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) apostaram na data de 17 de Agosto deste ano da graça de 2010 DC para a centralização da logística e dos serviços nas instalações do Parque Industrial de Abrantes.
Certamente que com a facturação do consumo de água deste mês já todos nós, munícipes, recebemos uma circular apensa com os respectivos esclarecimentos.
De igual modo, no início desta semana fomos brindados com a notícia de que a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), planeia nivelar o preço do metro cúbico de água para cima, representando “inflação” para os dependentes deste líquido. De inflação em inflação, no arranque de cada ano foram-nos habituando a que tudo suba de preço... agora vão-nos incutindo a idéia que após as férias parlamentares também há lugar a novas subidas nos preços dos bens públicos.... Dá-nos vontade de exclamar que é paralamentar!
Deve ser o motivo que obriga a subir o preço da bica para 1€!
Qualquer dia temos o custo deste bem essencial à vida, cotado a valores superiores aos das águas engarrafadas!
Ver-nos-emos na necessidade de tratarmos a higiene diária, recorrendo à aquisição de garrafões de cinco litros por 0.30€ a unidade, adiando estes prazeres refrescantes...
Bom... bom...
bombom!
Se isso nos acontecer... poderemos agradecê-lo à entidade reguladora!
Concluiremos seguramente que as entidades reguladoras disto e daquilo, em nada beneficiam os consumidores, tão sómente garantem os chorudos ordenados a uns quantos gestores, directores e administradores.
Bem o apreciamos nos combustíveis, nas telecomunicações e nas energias.
Nessa missiva concedem-nos informações sobre a nova localização, dinâmica da concessionada para o tratamento dos esgotos do concelho que eufemisticamente apelidam de "águas residuais", e meios de como poderemos liquidar as nossas facturas.
clique duas vezes sobre o documento
É-nos dado a saber que o abastecimento de água está disponível a mais de 99% da população do município abrantino e que a recolha do lixo doméstico é assegurada em todas as localidades, pese o facto de nas povoações rurais ser recolhido espaçadamente, com intervalos que atingem os quinze dias!
São precisamente os consumidores rurais que não têm acesso ao serviço público de recolha das águas saponáceas e fecais, consequentemente enviadas para as fossas sépticas das suas habitações.
Em termos municipais, a rede de esgotos designa-se por “saneamento” a exemplo da ETAR das Arreciadas que transborda as águas fecais para os terrenos circundantes, tornando as terras ricas em nutrientes!
Para que o ciberleitor não se queixe que cá o Cidadão abt elabora grandes post’s, este assunto será oportunamente analisado.
Regressando à informação que nos foi prestada pela Ambientabrantes, concluímos que na presente data os serviços de saneamento concessionados à Abrantáqua não chegam a servir92,2% dos consumidores sendo esta a meta a atingir.
Ficamos sem saber qual a percentagem exacta de consumidores que não usufruem destes serviços mas os paga como prestados.
Dos dados recolhidos no site dos SMA poderemos considerar 25% de incumprimento,posto que esses serviços chegam a 75% dos utentes.
Assim vemo-nos na necessidade de nos basear em suposições que não andarão longe da realidade.
Relacionando os 37546 eleitores recenseados no ano de 2005 com os 36872 inscritos no ano de 2009, registou-se um decréscimo de 674 habitantes no concelho, número pouco significativo na evolução dos contratos, razão para nos sustentarmos nos22689 contratos de abastecimento de água do ano de 2007, sustentados na razão de se verificar uma renovada taxa ocupacional de população temporária resultante da mão de obra temporária para construção das infra-estruturas industriais da região, não tendo havido aceso a outra estatística mais recente e considerando-se a média mensal de 8 metros cúbicos de água de um consumidor doméstico, são quatro, as parcelas de encargos com os serviços de saneamento que os 25% de contratados não usufruem.
Tarifa de saneamento fixa – 2.76€
Tarifa de saneamento variável – 8 x 0.4153 =3.32€
Tarifa de saneamento adicional – 0.50€
Taxa de IVA a 6% sobre a primeira e segunda parcelas – 0.36€
Total = 6.94€ todos os meses literalmente deitados ao lixo!
Se multiplicarmos este valor pelos 5672 utentes que correspondem aproximadamente aos tais 25% que não beneficiam dos serviços de saneamento da Abrantáqua, resulta na módica quantia de 39.363,68€ mensais que entram nos cofres dessas empresas.
Supondo que a empresa Abrantáqua venha a cumprir com a meta dos 90%, acima publicados e anunciados no espécimen da circular-comunicado, restam 10 % decontratos excluídos do sistema, correspondendo a um número aproximado de 2268 fregueses.
Feitas as contas, concluímos que futuramente nos serão extorquidos aproximadamente 15.740 €mensais sem que deles nos prestem serviços!
Uma alegria!
Tendo um poço no quintal, o cidadão que prescinda dos serviços públicos de água é obrigado a efectuar o contrato de abastecimento com os serviços municipalizados por se encontrar ligado à rede de saneamento público, enquanto outro que necessite do abastecimento público de água terá que pagar os serviços de saneamento, mesmo não usufruindo da rede pública de esgotos por perto!
Consta-se que Macário, homem de negócio ambulante, se ausentava de casa por tempos prolongados até chegado o dia em que despachada a venda mais breve do que supora, a seu lar cedo regressou.
Era noite gélida, profunda e de nevoeiros cerrada, já o mocho houvera piado três vezes, quando ao franquear a porta do seu lar, Macário encontrou o leito de repouso e paixão ocupado por outro ser que, dormindo só e profundamente, viu a sua vida ceifada pelo ódio e ciúme de um Macário varado de todo, adivinhando a traição da companheira que em outro aposento repousava.
Consumada a desgraça e horrorizado perante o tão macabro cenário de alvos lençóis de linho encharcados pelo escarlate sangue, Macário deu razão que tinha assassinado o próprio pai cuja esposa acolhera no calor de seu quarto, livrando-o das agruras da gélida noite.
Arrependido por tão vil precipitação e entregando-se ao desengano Macário fez-se eremita no alto de uma montanha, abrigando-se numa gruta onde passou os restos da sua triste e amargurada vida em permanente jejum, mergulhado em infindáveis orações.
Assim, Macário se fez santo.
Entre o entroncamento da Estrada Nacional nº2 e a passagem de nível da Linhado Leste como quem sobe para as Arreciadas, essa terra devota aos Tabajara, povo guerreiro do Ceará que foi colonizado pelas atrocidades dos europeus, assumindo a sua luta de libertação liderada pelos Jesuítas e por Rodrigo Mendoza,ex-mercador de escravos, convertido ao cristianismo...
Exemplo fugaz de uma índia em estado de repouso.
A caminho desta linda aldeia com risco ao meio e em altaneiros desafios à sede de freguesia no morro a Noroeste, que é São Miguel do Rio Torto, damos com um condomínio em franca expansão.
Local propício para qualquer eremita em regime de condomínio aberto poder construir a sua residência em módulos, dispensando requerimentos chatos, liberto de plantas de localização, de aprovação de projectos, de licença de execução de obras ou vistoria de habitabilidade, consequentemente evitando as incómodas deslocações dos fiscais da reinação e ficando isentos de imposto municipal de imóveis, contribuição autárquica, Sisa mas não Vieira, serviços radio-eléctricos, taxas, tarifas de saneamento e de metros cúbicos de água, a exemplo desta factura...
Se quiserdes saber o somatório das continhas, clicai duas vezes sobre as facturas e os números se vos revelarão em todo o seu esplendor.
Ooop’s!
Queríeis uma facturação municipal de água assim?
É de Punhete!
E... saberdes como cá o Cidadão abt a conseguiu? ? ? ? ? ?
Encontrou-a num caixote do lixo!
-Dããã!!!
Esta, por exemplo, é de Tubucci. Descontem-lhe os metros cúbicos consumidos e deitem-lhes as contas...
Para evitar a perturbação do trânsito e os constrangimentos dos serviços autárquicos, as actividades de construção civil desenvolvem-se aos fins-de-semana ou em horário nocturno e pós-laboral.
Numa simbiose perfeita entre os materiais pré fabricados e a alvenaria, vai por’li surgindo um novo conceito de arquitectura urbanística.
-Coisa moderna e p’rá frentex!
O brilho dos painéis em zinco canelado reflectindo os raios solares, é conjugado com o baço do aglomerado de madeira e a intermitência horizontal das tábuas ripadas, que surpreende qualquer estudioso da matéria.
São habitações de piso térreo com os vãos contornados por barras em ocre amarelo-torrado afim de provocarem a despistagem dos in7’s que desta forma peculiar se esborracham contra as fachadas, evitando a invasão dos compartimentos, em consonância com as técnicas populares das edificações alentejanas.
Para melhor integração no ambiente urbano, obedecem à traça do templo arreciadense!
Estes módulos habitacionais são providos de espaços com churrasqueiras ao ar livre, tendo área florestal a uns escassos cinquenta metros.
Com alpendres invertidos e amovíveis, a modos que se nos deparam no alçado principal, segundo os novos conceitos arquitectónicos, porquanto sendo locais propícios ao conversório intemporal e um tanto tempestivo, neles se revêem amigos e familiares, se trocam fortes abraços e palmadas nas costas, se ingerem infusões e se joga o gamão e a bisca, enfim e ao caso, um lugar de privacidade voltado à vida mundana.
Estas áreas requerem alguma polivalência, porquanto estando abertas ao tráfego rodoviário numa perfeita simbiose com a estrada municipal que acede ás Arreciadas, funcionam como logradouro e garagem colectivos. Frequentemente encontrarmos os condóminos recostados sobre cadeiras de esplanada, construídas em PVC-monobloco, material bastante resistente, diga-se de passagem, ocupando cerca de 1/3 da faixa de rodagem, sendo um ponto estratégico de alargada visibilidade, de onde controlam o esquema, pondo ordem nas traquinices dos cachopos.
A fonte de subsistência para a manutenção do condomínio poderá eventualmente contemplar a cobrança de portagem, cujo equipamento se encontra disponível mais adiante nas infra-estruturas adequadas, dando conveniente uso ás cancelas da passagem de nível que de momento mais não servem do que para assinalar uns quantos arames ou a passagem do esporádico cavalo de ferro entre gritos e gesticulações dos garotos.
Num tosco de blocos de cimento em tons cinza claro, os varandins avançam até à faixa de rodagem sobrepondo-se na valeta de escoamento das águas pluviais, num contraste quasi imaculado com a antracite do asfalto contrariando aquela ideia retrógrada de que se têm que guardar alguns metros em relação à via de circulação.
Os estendais de roupa percorrem os alçados laterais do condomínio num jogo colorido de tecidos e as crianças, numa avaliação psicológica, testam a perspicácia e a agilidade dos condutores passantes pois de entre alegretes e muretes, repentinamente lhes saem ao caminho.
Os jovens estudantes de Hitoyoshi poderão por’li colher novos ensinamentos para que junto deAkihito do Império do Sol Nascente, possam conjugar este conceito arquitectónico com as suas ameixoeiras que dão amêndoas!
Quanto ao saneamento básio... sabe-se lá!
Os electrões são colhidos da electroeira, que é a árvore mais próxima dos condóminos.
Este espécimen desprovido de folhagem tem tronco fusiforme com uns buracos onde se podem encaixar os pés, trepando por ele acima à semelhança do que se faz com os coqueiros, mas só dá sombra quando o céu se encontra nublado.
O abastecimento de água é feito através da mangueirização directa a uma bica que se localiza na retaguarda do condomínio.
Nada mais simples e prático, evitando a chatice das visitas mensais aos contadores da água.
Portanto, se é um candidato ao regime aberto e livre de espartilhos, portador de noções inovadoras quanto a habitabilidade, não se faça rogado que em Tubucci encontrará a permissividade e o local ideal para desenvolver a sua criatividade no Condomínio de São Macário de Tubucci!
O artigo segundo da Declaração Universal dos Direitos Humanos contempla o género, sendo de bom senso igualar o ser humano independentemente da língua, raça, cor, sexo, credo, condição, endinheiramento, origem ou opinião.
Isto já não acontece com o português!
Na sua constituição gramatical, o português faz questão em distinguir o masculino do feminino e o singular do plural, tornando as frases perceptíveis.
Por exemplo isto está mal redigido:
“É amarelo a casa da Teresa. A jarra para as mesas foi levada pela Teresa. A Teresa tirou uma rosa dos vasos”
Assim é o correcto:
Ou seja, na construção de frases e textos não há cá misturas de géneros!
São lavrados estes bitáites porque nas ondas hertzianas deambulam elevados, graves e monocórdicos decibéis proferidos por simpáticos jornalistas que se dedicam aos exteriores, pese temerários ao artº 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Provavelmente admiradores das obras de José Saramago, porquanto ao longo das frases, as pausas da pontuação saltam-lhes que nem molas.
Como se não bastasse, estes repórteres iniciam as frases no singular, terminando-as no plural, ou... arrancando-as no masculino, passam-nas ao feminino, recuperando-as para o género masculino.
Por exemplo, isto:
“Cresce cravos na primavera de toda a côr”
Esta desorganização sintáctica entrará em discrepância com o casamento de pessoas do mesmo sexo o que é grave nos dias que correm, posto o facto do nosso aristocrata Aníbal ter promulgado a lei à revelia do Bento XVI!
Ficámos sem perceber se a primavera é de todas as cores, se a primavera é de uma só côr mas intensa, se os cravos é que são de todas as cores, se quem cresce é a primavera, se são os cravos que crescem e por aí adiante.
“Há cravos branco vermelho e amarelo”
Havendo mais do que um cravo de cada cor, a conversa iniciar-se-ia e terminaria no plural.
“Há cravos lindos com cromos”
Reparam? Ficámos sem perceber se lindos, são os cravos... ou os cromos!
“Há árvore de frutos no pomar”
Um contorcionismo linguístico que dá a volta ao miolo de qualquer um!
Já aconteceu isto tudo em simultâneo resultando numa salganhada dos demónios, deixando os ouvintes perdidos em imaginários espaços quanto à interpretação das notícias difundidas nos microfones, ao ponto de causarem conflito entre receptores quanto às tentativas do seu entendimento.
Também no éter viajam subtilezas proferidas por eruditos doutores, como as seguintes:
“Os ouvintes são os públicos-alvos”
Ficámos sem perceber se os ouvintes são um público branco, pálido e chupadinho das carochas, se os ouvintes serão figurantes de uma carreira de tiro, tipo Saddam Hussein, ou se os ouvintes são o público a quem a mensagem se destina.
Se a última hipótese fôr eleita, dir-se-á:
"Os ouvintes são o público-alvo" ou "o público-alvo são os ouvintes"
Se forem diversos, os públicos metidos ao barulho, dir-se-á “públicos-alvo” e não “públicos-alvos”!
Outra subtileza ultimamente bastante divulgada nas rádios regionais é a seguinte:
“A ponte que liga as margens do Tejo entre a Praia do Ribatejo e Constância Sul encerrou ao tráfico rodoviário a partir das zero horas do dia vinte e um...”
Repararam?
C’um catano!
Não bonda osGNRterem encerrado as festas deConstância-2010, pois como agravante também havia“tráfico”na ponte!
Talvez por esse motivo a fechassem ao trânsito!
“Tráfico”é um acto ilícito, e de cariz criminal.
Supomos que o senhor radialista nos pretendeu noticiar... e não “notificar”, sobre o encerramento da ponte à circulação rodoviária... sendo “tráfego”, a designação correcta para quão impopular acto!
Atentemos a esta frase interrogativa:
“A derrocada da ponte está eminente?”
“Eminente” é uma expressão católica, coisa clerical atribuida ao título de um ser hierárquico, como a um cardeal ou a um bispo! O Termo correcto seria “iminente”, algo pouco ortodoxo e para breve... que mais dia menos dia, está para acontecer, não posso mais, viver assim...
Ah! Regressemos!
Portanto se o senhor jornalista reformular a questão nestes termos: “Aderrocada da ponte está iminente?”, talvez obtenha uma resposta objectiva.
“O juiz mandou emitir um mandato de captura”
Ná!
“Mandato” é um substantivo que significa “autorização”, “poder que alguém confere a outrem para, em seu nome, praticar certos actos”; “procuração “, “delegação”, “ordem”, "decreto”.
Outra subtileza linguística!
Pese o facto de ser raro nos dias de hoje os juízes efectuarem mandados, não há razão para os senhores jornalistas se desfamiliarizem deste termo, porque de facto, aquilo que o juiz fez, foi emitir um “mandado” de captura. Além de adjectivo, pode ser substantivo, significando ordem judicial de prisão, ordem judicial de detenção,ordem juduicial de busca, et cetera e tal.
“Registou-se um aumento da perca de população”.
Dãããã!
Esta tem barbas!
Deparamo-nos com um “dois em um”.
Ficamos baralhados!
Ele é champô e amaciador!
Primeiro porque “perca” é um peixe fluvial, supondo-se que a menina jornalista quereria referir-se ao acto de perder algo, logo a expressão correcta seria “perda” e também porque se algo se perde, não “aumenta”, mas diminui.
Houve oportunidade de apreciar um excerto da entrevista concedida pela grã-mestra guardiã das múmias e jarrões gregos que rezava assim:
“Uma grande maioria dos comerciantes do centro histórico manifestaram interesse em visitar a segunda antevisão do museu ibérico”.
Note-se que a erudita concedeu uma entrevista e não “concebeu” uma entrevista, como vai sendo hábito ouvirmos nos falantes!
Uma frase proto-histórica e da idade dos bronzes... rica em erudições e vícios linguísticos. Coisa barroca... só pode!
Se há maioria absoluta de comerciantes, essa maioria será soberana, una, e como tal, não sobrando hipótese para outra maioria, arrancar-se-à a frase com: “A grande maioria”, mandando o "uma" ás urtigas!
Como se isto não fosse suficiente, a redundância está enraizada nas pessoas eruditas, senão reparemos... na “grande maioria”.
Será que existem “grandes maiorias”, “médias maiorias”, “pequenas maiorias”, “pequenasminorias”, “médias minorias” e “grandes minorias”, ou só há maiorias e minorias?
E as mini-micro maiorias?
Ufff!
Isto dá cabo da carola a qualquer um!
Como não há duas sem três, a “grande maioria”dos ouvintes ficou convencida que assim é que é falar e não tardará muito, teremos de re-rever o acordo ortográfico.
Destacam-se os melómanos que estão nas tintas para estas tretas, aqueles que recolhem a informação para seu consumo, e os outros que juntam o útero ao agradável...
O quê?
Outra subtileza?
Onde?
Ah!
Vamos aprofundar as coisas mais um bocadinho, lendo o seguinte texto da obra “Viagens na Minha Terra” do mestre Almeida Garret:
“- Aqui estou minha avó: é a sua meada?...
Eu lha endireito - disse Joaninha saindo de dentro e com os braços abertos para a velha. Apertou-a neles com inefável ternura, beijou-a muitas vezes e, tomando-lhe o novelo das mãos, num instante desembaraçou o fio e lho tornou a entregar. A velha sorria com aquele sorriso satisfeito que exprime os tranquilos gozos de alma e que parecia dizer:
“-Como sou feliz ainda, apesar de velha e cega! Bendito sejais meu Deus.” Esta última frase, esta bênção de um coração agradecido, que expira suavemente para o céu, como sobe do altar o fumo do incenso consagrado, esta última frase transbordou-lhe e saiu-lhe articulada dos lábios:
- Bendito seja Deus, minha filha, minha Joaninha, minha querida neta, E Ele te abençoe também, filha.
- Sabe que mais, minha avó? Basta de trabalhar hoje, são horas de merendar.
-Pois merendemos”
Neste excerto, Garret pretende mostrar o carinho que une a Joaninha à sua avó.
É uma narrativa construída sobre um plano idealizado, ordenando ideias parcelares que nos conduzem a uma idéia central.
A construção do plano subdivide-se em três partes que são a ternura de Joaninha, a satisfação íntima da avó da Joaninha e o diálogo entre as duas onde é evidenciado o afecto mútuo.
Para que nos seja inteligível, a leitura do texto exige-nos algumas pausas longas, continuando a sua leitura na linha seguinte que se destaca recuada em relação ás restantes.
O último parágrafo suporta dois conjuntos expressivos e separados por um ponto final. Nele damos com as duas formas verbais finitas “seja” e “abençoe”.
Sendo cada uma destas formas o centro de uma afirmação, que se designam por orações, deverão ser enfatizadas durante a sua leitura.
Quando efectuamos a leitura de um texto devemos ser o mais claros possível, respeitando as pontuações, fundamentais para a sua inteligibilidade. A pontuação está para a leitura das frases como a acentuação para a leitura das palavras.
Por exemplo, esta notícia:
“A noite está linda”
Uma frase constituída por uma só oração simples e inteligível que não nos deixa margem para dúvidas. Mas se fôr assim:
“As estrelas parecem pequenas porque estão muito distantes”
Ou:
“O António saiu e foi ao cinema”
Há que ter em atenção a colocação dos predicados senão as frases dão uma grande salganhada, como por exemplo:
“O António foi ao cinema e saiu”
“As estrelas estão muito distantes porque parecem pequenas”
E ficámos a fazer o pino porque o fulcro dos sentidos mora nos predicados “e,” “porque,” combinados com os verbos “parecer”,“estar”, “sair” e “ir” que, ligando as orações entre si, lhes dão o sentido pretendido com uma organização morfológica!
Por exemplo, temos aqui outra subtileza. Aquilo que muitos designam por morfologia, deveriam defini-lo como anatomia
Há aqueles que processam superficialmente a informação recolhida e há os mais atentos que digerem cada sílaba da informação.
O facto dessa informação ser difundida com sucessivos vícios de linguagem, vai criar uma habituação danada nos ouvintes, difícil de exorcizar à posteriori.
Supõe cá o Cidadão abt que ao lerem estas observações reveladoras de uma preocupação salutar e construtiva, os locutores no geral e a linda repórter em especial, se irão libertando destes malditos vícios, da saturação repetitiva de palavras numa frase ou parágrafo, das subtilezas gramaticais, da sintaxe desmazelada, da prosa cantarolada, diccionando fluida e compassadamente cada parágrafo, recorrendo a fonéticas suaves e posicionando a voz abaixo dos setenta e cinco decibéis porque, para conforto dos tímpanos alheios, a voz humana se quer rente aos quarenta decibéis, fazendo dos microfones uns seres mais felizes.
Decerto que ao lerdes esta seca, passareis a fazer uma marcação cerrada aos cuidados com que este praça bitáita, exigindo dele maior rigor nas morfologias, e claro está, elevada sensibilidade nas anatomias sintácticas... A malta compreende que ao princípio não lhes será fácil, mas com o tempo ir-se-ão habituando.
Impedida a circulação dos chiantes na ponte rodo-ferroviária que une as tágides margens entre Constância Sul e a Praia do Ribatejo por ter expirado a validade e lhe amandavam uns abanos do catano, porque não... permitir a circulação das maquinetas de duas rodas, bicicletas, motas e outras cenas à maneira, enquanto as engenharias reestruturam estratégias?
Teriam que alternar a pedalada destes meios de transporte com o ferrocarrilar do mangaratiba porque a acção concertada das solicitações dinâmicas lhe abalaria o tabuleiro... Yá! Safava-se o esquema por uns tempitos...
Esta solução passageira aliviaria o trabalho do senhor barqueiro que não dá quilhas a medir entre as margens e facilitaria a vida a bué da bacanos que chonam numa margem e kurtem a vida na outra!
No momento em que se publica este post foi encerrada ao transito rodoviário, a ponterodo-ferroviária que une as margens do Tejo entre a estrada nacional nº 118em Constância Sul e a estrada nacional nº 3 a norte da Praiado Ribatejo, na expectativa de decorridas duas semanas, reabrir ao trânsito rodoviário de peso bruto até aos 3500Kg.
Para minimizar os inconvenientes daí resultantes, uma das soluções provisórias passa pela instalação de uma ponte militar.
O encerramento por ora temporário desta ponte, impulsiona razões para a construção de uma ou duas pontes rodoviárias que unam as margens do rio Tejo e a autoestrada 23 às estradasnacionais nº3 e nº118 que tanta falta fazem para o desenvolvimento regional!