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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os seus objectivos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, adormecidas... ou anestesiadas por fórmulas e conceitos preconcebidos. Embora parte dos seus artigos possam "condimenta-se" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade com libertinagem de expressão" no principio de que "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros".(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico e por vezes corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausadamente, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas análises, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell).Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de blogues a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, o que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão com alguma delas... mas somente o enriquecimento com a sua abertura e análise às diferenciadas ideias e opiniões, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais e válidos para todos nós, dando especial atenção aos "nossos" blogues autóctones. Uma acutilância daqui, uma ironia dali e uma dica do além... Ligue o som e passe por bons e espirituosos momentos...

sábado, 29 de novembro de 2008

O ESPARGO


O ESPARGO
Matina de Domingo, o Sol irrompia pelas copas das árvores anunciando um dia promissor… os passaritos, na sua azáfama, chilreavam entre as silvas que ladeavam o trilho de terra batida, serpenteando entre as encostas serranas… a folhagem, em tons amarelo e acastanhado pendia das galhas do arvoredo, alguma, já seca, caída ao longo do caminho… começava o Outono… o Cidadão caminhava, em passo cadenciado, mochila às costas transportando o essencial, chapéu de abas, lenço ao pescoço, botas de montanha, meias grossas até á barriga das pernas, calções caqui, juntamente com um grupo de outros tantos caminheiros… todos animados e satisfeitos, brindados por um dia fantástico para o pedestrianismo… uma subida íngreme seguia-se… como sempre a técnica de progressão deste tipo de relevo consiste num passo curto e rápido, como se de um 4X4 se tratasse, em primeira baixa… é mais fácil escalar assim, do que em passo alongado, vencendo grandes amplitudes com o peso do corpo… há que evitar parar, há que evitar dialogar, mantendo o fôlego, há que respirar profunda e pausadamente… pelo nariz… são técnicas de caminhada! Em terreno solto, que levante pó, convém cobrir o nariz e a boca com um lenço, filtrando a poeira levantada pelos caminhantes… o Cidadão tem por hábito ganhar um certo avanço de cem a trezentos metros, em passada silenciosa, destacando-se do pelotão! E porquê? Não, não é movido de um espírito competitivo ou outra nóia assim… é que deste modo, sempre consegue avistar alguns elementos mais distraídos da natureza… um gaio ali, saltitando no caminho, acolá um coelhito obcecado pelo gafanhoto, mais adiante umas perdizes correndo á frente do Cidadão durante umas dezenas de metros… como que a indicar o caminho indo enroscar-se discretamente na vegetação rasteira, confundindo-se com o meio ambiente… mais á esquerda, junto á valeta rasgada pelas últimas chuvadas, uma majestosa e sarapintada cobra reluzindo e espreguiçando-se ao sabor da luminosidade da manhã… no grupo, isto não se topa, porque, geralmente, o pessoal tem assuntos pertinentes para pôr em dia e, dialogando ruidosamente, afugentam a bicharada desperdiçando estes encontros imediatos! O aroma das plantas é emanado com intensidade, pois o orvalho que, durante a noite se depositou nas suas folhas é agora evaporado com o aquecimento dos raios solares, libertando fascinantes fragrâncias… noutras, basta tocar-lhes de raspão para logo nos responderem silenciosamente com os seus aromas, dialogando connosco! Outro dos motivos deste avanço em relação ao grupo, passa por um incentivo psicológico, demonstrando aos mais cansadiços que a “cena” não é assim tão difícil de galgar e vencer! Como cá o Cidadão vai para gastar meias solas e queimar bué de calorias, por vezes inverte o seu próprio sentido de marcha, cruzando com o grupo, e, partindo de último, recuperando o avanço, arrastando consigo mais dois ou três caminhantes que o acompanham de seguida… isto também se aplica em trilhos com declive considerável! É de salientar que, quando se parte para uma coisa destas, há que evitar ingerir bebidas alcoólicas no dia anterior, pela mínima quantidade que seja, degustar uma refeição leve ao jantar, e partir com uma noite bem dormida, para que se optimize a resistência física, iníciada nos fígados e nos rins bem tratados de véspera! É de notar que, nesta actividade, os principais “fugitivos” são crianças entre os sete e os quinze anos e as rapariguitas até aos vinte e poucos de idade, devendo-se principalmente á sua leveza e desintoxicação! Quanto aos homens, aqueles que, normalmente se vangloriam, roçando as barrigas nos balcões dos cafés, contabilizando fermentadas essências de lúpulos cerealíferos ou contemplando os divinos éteres do Deus Baco, ficam para último em tais andanças… ou mesmo, não chegando a comparecer aos encontros marcados pelos mais diversificados, caricatos e desculpabilizados motivos?? Desta feita, o Cidadão irrompia caminho, por sinal bem acompanhado, quando, de súbito, uma das moçoilas, espevitada, observou, para as restantes:
-Olhem, um espargo!
Um espargo?! Pensou cá o Cidadão… mas que admiração, encontrarem um espargo… entretanto, as cachopas, com ar maroto, suspenderam a caminhada aguardando a aproximação do grupo… quando uma delas chamou a atenção, exclamando:
-Ó Mãe, olha um espargo! Queres colhê-lo!
Notou-se algum embaraço por parte da Mãe da cachopa, que ficou mais rosadita do que o costume, devido ao esforço, enquanto as restantes representantes de Vénus emitiram uns risitos marotos e os homens disfarçavam qualquer coisinha… aqui, o Cidadão ficou curioso com o porquê de tanta alteração de atitudes e comportamentos perante o achado e, dirigindo-se discretamente á Companheira, questionou-a sobre tal fenómeno… pois ela é especialista na sapiência das plantas, sua designação, sua utilidade, suas funções e seus efeitos medicinais, coisa em que cá o Cidadão é mais ou menos leigo na matéria, daí se complementar com a rapariga, ela numas áreas… ele noutras! Depois de ter ouvido discreta e atenciosamente a explicação para o fenómeno, fez -“Âããh”… com o ar sabedor de quem não percebe nada do assunto! A caminhada prosseguiu sem que antes não tivessem sido avidamente arrancados os poucos espargos do seu habitat natural, rebuscados do meio do tojo, lá seguiram aquelas cotas com ar feliz, talvez pelo achado, de molhos de espargos nas mãos enquanto eles caminhavam, agora menos faladores, arrastando as suas proeminentes barrigas… de postura bastante mais aligeirada, quase que empurrando cá o Cidadão, que entretanto ia pensando:
“-isto é que estão aqui uns caramelos…”
Pois… em todas as actividades, em todos os acampamentos, em todas as aventuras, em todas as orientações, em todos os convívios e também em todas as caminhadas das nossas vidas nos cruzamos com algo de relevo, algo fora do comum… algo que nos é proporcionado espontaneamente e fica gravado na memória a longo prazo como recordação, para serem recontadas e revividas… correndo de afeição ou menos bem… são experiências vividas, são conhecimentos adquiridos… que nos vão aguçando o engenho e a arte… Mas cá o Cidadão ficou a magicar no espargo… e voltou a indagar a Companheira… não satisfeito e curioso, foi consultar os cardápios para saber das propriedades químicas da coisa! O espargo contém potássio, fósforo, cálcio, magnésio, ferro, zinco, vitaminas do complexo B, vitamina C, Vitamina E, e provitamina A. Possui ainda compostos sulfurados, saponinas que actuam sobre as células cancerosas e sobretudo, ácido fólico que favorece a formação de glóbulos vermelhos, aminoácidos, fibras e aspargina altamente diurética, estimulando a actividade da vesícula e dos rins. Quando se ingere grande quantidade de espargos, a urina fica com um odor especial, devido precisamente à aspargina O espargo é dotado de propriedades rejuvenescedoras, tónicas e diuréticas e proporciona a boa saúde das artérias, da pele, das unhas, do cabelo, dos ossos, da vista, do estômago, do coração, e do sistema nervoso. Robustece a libido e o cérebro. É um alimento indicado para quem sofre de retenção de líquidos e, graças ao seu baixo teor calórico, para quem pretenda diminuir de peso.
Asparagus…. Asparagus….Asparagus officinalis… Hum… E nada! Mas afinal é tudo treta? Servem apenas para temperar as omoletas de ovos? A não ser que… esperem… “robustece a libido e o cérebro”… ora, cá está o busílis da questão! Como o dito cujo tem um formato assim para o fálico, logo… sugere! Ora… se sugere… entramos nos meandros da psico! Portanto o espargo é um estímulo recolhido pelos órgãos sensoriais! Ah! O que são os órgãos sensoriais? È assim a visão, a audição, o paladar, o olfacto e o tacto! Ora bem, o espargo é poderoso e actua logo ao primeiro estímulo! Ou seja, no contacto visual com o vegetal! E depois… vem a associação de ideias! Eh! Eh! A representação! A representação do coiso, que é um conjunto de informações e de imagens mentais disponíveis na memória e levam as caminhantes a perceber a realidade de uma certa forma, influenciando as suas atitudes e comportamentos… atitudes estas, que são influenciadas sobretudo por aquilo que as caminhantes sabem acerca do rebento, mostrando-se favoráveis ou desfavoráveis ao dito cujo, e finalmente, a acção manifestada perante o vegetal, que as predispõem a reagir de uma certa forma… e notem agora, a ideia que as caminhantes construíram acerca do espargo! Isto influenciado pelas raízes culturais, pela religião e pelo meio social onde estão integradas, é automaticamente atribuída uma classificação para o vegetal e, por acréscimo, atribuído um valor… desse valor, resultam reacções emotivas perante o rebento, e posteriormente, experimentadas! Pois, e aquela cena do espargo possuir propriedades diuréticas activando a vesícula e os rins e favorecer os glóbulos vermelhos também dará um certo empurrão na brincadeira, visto os órgãos reprodutores se encontrarem associados ao sistema renal e ao sistema circulatório! Mas não vamos analisar a questão por esse prisma, porque nos desmotiva!
Votos de uma bela barrigada de Asparagus officinalis…para quem fez o favor de ler este post!

9 comentários:

Rosa Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cidadão abt disse...

Prontos! Cá a Companheira bem avisou o Cidadão para não expôr a sua análise acerca do dito, em público, porque a coisa podia dar "barraca"!Dar para o torto!!!
-Olha que as pessoas podem ler isso e perceberem"
ou
-"Toma cuidado com o que escreves aí"
-"Andas a ler demais e isso faz-te mal á carola" ...
"Olha que elas podem julgar que isso é a sério afeiçoam-se e depois não te largam a peúga e tú ès um homem casado"... Etc. Etc. Etc.,
e outras cenas assim!Eram as palavras duras e ríspidas cá da rapariga! Em suma, foi mesmo uma briga para o Cidadão meter este "post" no ar! Mas olhe, já está, e... já está! Agora... facto consumado... não há nada a fazer!De resto foi necessário "elas" terem explicado, a seu devido tempo, toda a preversidade contida num pé de espargo!Bom agora, cá o Cidadão tem que parar de escrever pois a Companheira está ali com cara de poucos amigos,e tem qualquer coisa escondida atrás das costas... que não se parece com um espargo, mas sim com uma colher de pau! E... das graaandes!
Adeus, Adeus!

Rosa Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cidadão abt disse...

Ora, depois de cá o Cidadão ter regressado de mais uma caminhada, desta das rigorosas, devido á invernada, analisou cuidadosamente o comentário de Rosa Oliveira que cita, "sermos educados numa cultura falocêntrica!" Muito bem "dezido"! Mas que eufemismo para se referir a uma sociedade machista! Cá o Cidadão concorda plenamente com a sua opinião! Demais, na sua actividade profissional, cá o Cidadão depara-se em frequentes ocasiões, com pessoas de idade mais avançada, que, ao tratarem de assuntos que acarretam responsabilidade, estranham e tentam rejeitar o facto de ser uma "mulher" a explicar e a ter o poder decisional sobre as matérias vertidas, porque, segundo o ponto de vista desses cotas, a mulher serve para obedecer e cumprir ordens, fazer as lides domésticas e coisas do género! Aqui, dá um certo gozo ao Cidadão, "sujeitar" e fazer depender estas mentes á resolução dos assuntos por uma mulher!Mais, infelizmente este tipo de mentalidades também se encontra implantada em jovens na casa dos vintes mesmo daqueles que se apresentam modernaços, com estudos e prá frentex!
-"Então, não é você que resolve?" -"Não é consigo que trato dos assuntos?"
-"Com aquela senhora? Mas eu... só quero conversar consigo!"
-"O quê? Aquela senhora é que manda?"
Tipo, lá na minha terra, e em minha casa, quem manda são as calças...
E este confronto, e esta "subjugação" psicológica do "macho" é gratificante para o Cidadão, será, talvez, um pequenino contributo para o despertar e o abrir das mentes, dando a perceber que todos têm igualdade de oportunidades e todos temos as mesmas capacidades, independentemente da cor, do credo, da raça, da condição social, e para o caso, do sexo! Quanto a isso, o serviço militar acessível ás raparigas, em muito vem quebrar uma série de preconceitos sociais, principalmente, quando os superiores hierárquicos são "elas"!Embora cá o Cidadão opine que elas não terão bem as mesmas capacidades em áreas bastante específicas de operacionalidade e destreza, devido ás suas características morfológicas, limitando-as em desempenhos específicos, mas isso não pesa em termos do contexto geral!

Com os melhores cumprimentos, subscrevo-me mui respeitosamente,

O Cidadão.

Anónimo disse...

Sem querer entrar na brejeirice, embora o conteúdo deste texto a isso nos convide, mas dentro de um espírito de boa disposição que muita falta nos faz e que o autor deste blogue tanto fomenta, é caso para afirmar que o espargo tem efeitos aquém e além fronteiras, que até põe as senhoras "tolinhas", confirmando a mensagem do seu autor.
De resto, a brincar, este cidadão continua a cascar forte e feio nas mentalidades, como se propõe, o que acho bastante interessante e intervencionista, sem ofender. Very Good! Very Nice!
Artur :)

Anónimo disse...

Força, Cidadão Abt! Com espargos ou sem espargos, continue a abanar a árvore. Só assim é que a bicharada cai ao chão bem como os frutos podres.Um abraço do Cabo da esquadra.

Anónimo disse...

Eh! Eh! Eh!
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta é acordar a malta
Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta é empurrar a malta
Quando a esquina ha sempre uma cabeça
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta é empurrar a malta
Quando um homem dorme na valeta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta dar poder a malta...

Bingo!Um texto bem (a)postado!

O Prof. das matérias, ausente.

Cidadão abt disse...

Hum... Este último comentário tem sabor a Zeca Afonso...
Quanto ao "nosso" Cabo, muito obrigado pelo incentivo! Vai-se abanando a árvore quando se pode e quando se tem tempo!Um cadixinho hoje... um caxixinho daqui a uns oito dias... e assim cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas...
Muchas gracias!

Maria Marques disse...

Devido às lides domésticas,sim,porque a mulher continua a ser a alma da casa,(apesar da mudança lenta das mentalidades),só agora deparei com mais um texto elucidativo e um tanto brejeiro.
A brejeirice retrata a simplicidade do nosso povo .As caminhadas são próprias de quem ama a natureza e se preocupa com a saúde(pena é que nem todos sintam resistência e coragem para as fazer).
Quanto à riqueza alimentar,é um bom lembrete para as cozinheiras e já agora,porque não para os cozinheiros?
Obrigada pela boa disposição que nos transmite.
Maria